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O lado bom da vida || Matthew Quick

8.3.19


O lado bom da vida foi um aleatório que peguei em fevereiro. Ele estava na minha estante a muito tempo e na época que consegui de troca, era para ler entes do filme. Passou-se tanto tempo e nem a leitura foi feita e nem o filme visto. Mas pelo menos uma parte dessa afirmação eu consegui cumprir, falta só ver o filme. Quando conhecemos o protagonista do livro Pat Peoples sabemos apenas que ele acabou de sair de uma clinica psiquiátrica e que foi colocado lá depois de um surto. Ele perdeu a memória e não sabe quanto tempo passou na clinica e o que ele fez para ser posto lá. Então a leitura vai caminhar com o Pat recobrando a memória e nós, leitores, descobrindo o que realmente aconteceu.

O Pat narra o livro e isso é um ponto muito importante. Estamos dentro da cabeça de um homem que sofre de problemas psicológicos e está tentando retomar sua vida nessa perspectiva. Depois de sair o problema não acabou e uma das condições para que ele saísse, é a continuidade do tratamento fora da clinica, com remédios e terapia. Retomar a vida talvez seja a parte mais complicada para Pat, porque ele agora tem o estigma do "louco" e acredita que seu casamento vai voltar ao normal, mesmo que Nikk, sua ex-mulher, nunca tenha aparecido para visitá-lo nem antes e nem depois que saiu. O protagonista ser homem e o problemático da estória também é outro ponto relevante. Depressão, loucura e outras doenças mentais costumam ser associadas a mulheres.


Tive uma empatia muito grande pelo Pat, por sua maneira desesperada de se agarrar a realidade e provar a todos que está são. Ele apresenta outros transtornos, que no livro não são falados explicitamente. É bom dizer que o livro não trata as doenças mentais tão abertamente, porque o Pat não aceita muito bem isso. Ele sabe que está doente, que nem sempre vive na realidade, mas não dá nome aos bois. A obsessão que ele tem com a ex-mulher chama a atenção e causa angustia no leitor, porque voltar com a Nikk é o motivador dele e quando vamos percebemos que isso está longe de acontecer, fica a pergunta do que vai acontecer com o Pat quando ele descobrir. Um personagem que eu detestei desde o começo foi o pai do Pat, que não sabe lidar com a doença do filho simplesmente o exclui.

Essa exclusão é dolorida porque os dois moram juntos, então o pai passa dias sem conversar com ele ou ao menos olhar na cara do filho. Pat quer retomar esse relacionamento, conversar com o pai, e ele apenas ignora. Em alguns momentos me deu a impressão de que esse pai também tem algum transtorno psicológico, mas não saberia dizer qual, talvez fobia social ou algo assim. Quando volta para casa Pat passa por uma fase bastante infantil. Ele não tem emprego, nem casa, e a mãe cuida dele, dando os remédios, comprando suas roupas, dando dinheiro para ele sair. A mãe é maravilhosa, o pai detestável. Quem também merece destaque nessa estória é a Tiffany, irmã de uma das amigas de Pat e que também tem transtornos.

O relacionamento deles vai ser estranho, para dizer o mínimo, mas é bom se colocar no lugar deles. Duas pessoas instáveis mentalmente que estão tentando se fixar na realidade. Talvez dê certo, talvez não. O lado bom da vida não é melhor livro do mundo, mas é uma leitura que provoca empatia, que te coloca nessa posição de ser visto como louco, desequilibrado. Que te mostra como é exaustiva a luta para ter uma mente saudável. Pode não ser a melhor leitura, mas te faz refletir ao final. Foi meu primeiro contato com o autor, muito famoso anos atrás, e pretendo ler outras coisas dele. Em relação ao filme, também quero assistir. Acreditam que eu nunca vi, nem peguei spoiler dele até hoje? Pois é, verei em breve.

Você precisa saber que são suas ações que fazem de você uma boa pessoa, não sua vontade.

O Lado Bom da Vida
Matthew Quick
Editora Intrínseca: Facebook/Instagram

Onde comprar (link comissionado):
Amazon

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