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Duas Rainhas

25.3.19

Duas Rainhas || Estreia em 4 de abril de 2019
Crítica: Karla Nayra


As imagens exuberantes apresentadas em grandes planos gerais vão arrebatar o espectador deste filme. O recurso não é usado apenas no início da trama, mas em momentos de transição que acontecem durante toda a história. As paisagens montanhosas da Escócia nublada, fria ou, às vezes, ensolarada são cenários tão majestosos quanto a altivez da monarquia. Duas rainhas que também são primas empreendem uma disputam pelo trono Inglês. As tensões entre elas estão cercadas de questões de gênero, religião e afetos. No desenrolar da trama, a direção executada por Josie Rourke e o roteiro de Michael Hirst buscam trabalhar esses conceitos.

Todavia, como qualquer filme de entretenimento, não oferece ao público uma materialidade histórica precisa, ou seja, a verdade assim como aconteceu. O que, na minha opinião, não é necessário para entreter. A história funciona bem com os recursos eleitos pelas equipes técnica e de produção. Mostra um especial capricho na direção de arte que, vale ressaltar, teve duas indicações ao Oscar 2019: melhor maquiagem e penteado; e melhor figurino.


No campo dos afetos, percebemos elementos importantes para gerar no espectador empatia pela doce e imponente personagem interpretada por Saoirse Ronan como Rainha Mary Stuart. Feminilidade, compaixão, amor e superação são características próprias dessa personagem. Ela se recusa a deixar de ser dona das suas decisões para entrar na moldura exigida pelos homens de sua época. Mary Stuart é apresentada como alguém cuja mente visionária e tolerante lhe cobra um alto preço. Por outro lado, é possível perceber as frustrações de uma mulher que praticamente teve de escolher agir como um homem para manter seu reino intacto. Esse é o papel de Margot Robbie que interpreta a Rainha Elizabeth I.

A direção utiliza recursos comuns, porém funcionais para mostrar a vaidade e suas implicações. Aqui eu senti falta de uma personagem mais complexa e empática. Duas Rainhas é um exemplo de como as relações de poder se estabeleciam no século XVI. A direção aproveita o momento atual para inserir pitadas de amor fraternal e sororidade (companheirismo ente mulheres). No fim dessa história há um diálogo marcante, tenso e repleto de reflexões que nos servem ainda nos dias de hoje.

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