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Cine Holliúdy 2 - A Chibata Sideral

19.3.19

Cine Holliúdy 2 - A Chibata Sideral || Estreia em 21 de março de 2019
Crítica: Karla Nayra
 
Uma declaração de amor cearense à sétima arte

Francisgleydisson (Edmilson filho) está de volta. Depois de perder tudo que havia conquistado, o entusiasta da sétima arte se vê obrigado a abrir mão do Cine Holliudy. Após ver seu amigo abduzido por extra terrestres, o cineasta se sente inspirado a produzir e dirigir seu próprio filme, uma ficção científica tipicamente cearense, na qual Lampião enfrenta alienígenas.

O que temos aqui é uma comédia divertidíssima e aborda um tema relevante para a história do cinema brasileiro. Na década de 1980, o aparelho de televisão ganhou popularidade no Brasil e, com isso, muitas pessoas deixaram de ir ao cinema. O público se reunia nas praças das pequenas cidades do interior do Ceará para assistirem TV. O fenômeno causou um grande esvaziamento nas salas de cinema de todo o Brasil e muitas faliram.

A história de Francisgleydisson está situada nesse contexto e por isso o protagonista é obrigado a se desfazer do Cine Holliudy. Para encarar o novo desafio, ele reúne a comunidade local e a partir desse ponto a trama se desenvolve. Conceitos como feio e bonito são trabalhados de uma forma inusitada e divertida. Aliás, as risadas me acompanharam do início ao fim da história. No centro da trama, está uma linda homenagem ao cinema primorosamente trabalhada pelo olhar sensível e caricato do diretor Halder Gomes.


A equipe de arte liderada por Juliana Ribeiro realizou um caprichado trabalho de composição, desde a escolha dos figurinos à dos objetos em cada locação. Esses detalhes contaram com a harmoniosa direção de fotografia de Carina Sanginitto. O engraçadíssimo elenco é um dos pilares do filme que conduzem o público às mais altas gargalhadas. Ícones da televisão brasileira como Falcão, Samantha Schmutz, Milhem Cortaz, Roberto Bomtempo e Miriam Freeland são destaques.

Todavia, todo elenco demonstra alto comprometimento com seus personagens e com o filme. Mesmo atores menos famosos têm seu momento para brilhar e assim conseguem dar fluidez e sentido à obra. Apesar de pertencer ao gênero comédia, o filme é um trabalho muito sério que discorre sobre um tema que impactou a história do cinema nacional com bom humor e qualidade técnica.

A combinação harmoniosa de cada tarefa executada transparece também no senso de comunidade que a obra deseja transmitir. Afinal, a realização de um filme depende do trabalho de muitas pessoas. Halder Gomes nos mostra que, seja na ficção ou na realidade, não é possível fazer cinema sozinho e com isso prova o quanto a ajuda de outras pessoas é fundamental para a realização de um sonho audiovisual.

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