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Capitã Marvel

6.3.19

Capitã Marvel || Estreia em 07 de março de 2019


Após 10 anos desde o lançamento de “Homem de Ferro”, que inaugurou o que é conhecido hoje como o MCU (Marvel Cinematic Universe), chega aos cinemas “Capitã Marvel”. Em se tratando de sua produção, o filme marca muitos primeiros para o MCU; primeiro filme escrito majoritariamente por mulheres, a compositora Pinar Toprak é a primeira mulher a compor a trilha sonora de um filme da Marvel, primeiro filme da Marvel protagonizado exclusivamente por uma heroína - sem esquecer da Vespa, que divide o holofote com o Homem-Formiga no filme da dupla lançado em 2018.

Tudo isso criou um ar de expectativa ao redor do filme que o acompanha desde suas filmagens e essa expectativa cresceu com a cena pós-créditos de Guerra Infinita, onde vemos Nick Fury enviar uma mensagem de socorro via pager para alguém antes dele desaparecer. Por estar inserido dentro de um universo compartilhado, justamente no meio de um momento decisivo, o filme tinha um peso deveras pesado nas costas e era esperado que ele respondesse a algumas perguntas: quem é Carol Danvers? Por que Nick a chamou justamente agora? Aonde ela esteve durante todo esse tempo? Como ela vai ajudar os Vingadores a derrotar Thanos e reverter o que ele fez em Guerra Infinita? Essas perguntas funcionam a favor e contra o filme.


A favor porque ele tem um propósito para existir dentro do universo compartilhado da Marvel (além do propósito óbvio de trazer essa personagem para o cinemas); já se sabe que história deve ser contada e a função dessa personagem dentro da saga do MCU. E contra porque tudo no filme deve servir ao propósito desse mesmo universo e não exclusivamente à historia de Carol, então o filme se vê "obrigado" a se encaixar em um molde. Entretanto, o roteiro não deixa que a toda essa magnitude do universo compartilhado cinematográfico da Marvel prejudique a historia da personagem e o que vemos em cena e, justamente em termos de construção de personagem, uma novidade no MCU e não apenas por ela ser uma mulher.

A estrutura do filme é algo que até então a Marvel não havia tentado fazer e que poderia resultar em um filme desconexo caso a edição não soubesse lidar com as suas inúmeras idas e vindas. Em certa medida, o filme é como um quebra-cabeça que vai sendo montado ao longo da trama e que, aos poucos, vai revelando mais sobre essa personagem. Quem já a conhece das HQs vai reconhecer sua personalidade desde a primeira cena e não vai restar duvidas de quem e essa personagem. Isso por conta do roteiro, escrito pelos também diretores do filme Anna Boden e Ryan Fleck, além de Geneva Robertson-Dworet, Nicole Perlman e Meg LeFauve, que demonstra um grande trabalho de pesquisa feita nas HQs da personagem.


Conseguir transmitir em 2h toda a personalidade e essência de uma personagem que existe há décadas é um constante desafio em filmes de super-heróis, mas o roteiro consegue inserir mesmo nas cenas que aparentemente são mais banais quem é essa personagem e consegue jogar referências as HQs ao longo do filme que não afastam quem acaba de conhecer essa história. Como já foi dito anteriormente, Carol é uma novidade não por que ela é mulher, mas porque é determinada beirando a intransigência, ela não faz nenhuma questão de esconder o quão forte é e sabe disso, ela é assertiva. O que mais chama a atenção nela é o fato de que Carol Danvers é tão extraordinária no que tange seus poderes e ao mesmo tempo ela é incrivelmente humana.

É nessa aparente contradição que Brie Larson (vencedora do Oscar por "Room") traz em cena uma atuação muito semelhante as outras de sua carreira na medida em que ela se transforma completamente em cena. Desde “Room”, até “Free Fire” e “Temporário 12”, Larson é praticamente uma especialista em interpretar mulheres em uma situação de extrema vulnerabilidade mas que possuem uma força interior que as guia durante os filmes. Além da atuação de Brie Larson, Samuel L. Jackson aparece rejuvenescido no papel do jovem, e ainda com dois olhos, Nick Fury e Lashana Lynch é Maria Rambeau, a melhor amiga de Carol e também pilota.


Por se tratar de um filme onde uma mulher busca redescobrir quem é já que ela não se lembra de nada, muito do que o publico descobre sobre ela – tanto em termos de personalidade quanto de biografia - depende desses dois personagens e o resultado é que conforme o filme desenvolve e revela a relação entre ela e Maria e Fury, é possível ver como Carol Danvers é extraordinária e como ela é humana. O filme conta também com Ben Menselsohn, no papel de Talos, provavelmente um dos melhores vilões do MCU. Quanto a direção, de Anna Boden e Ryan Fleck, o que pode ser dito e que ela aparenta ser um pouco tímida, possivelmente por conta do filme fazer parte de um projeto muito maior dentro do universo cinematográfico da Marvel.

Essa posição na qual o filme se encontra parece ter impedido que Boden e Fleck realizassem escolhas mais ousadas em termos de direção e até mesmo no campo da Direção de Fotografia, feita por Ben Davis. O filme consegue compensar isso com a atenção que ele dá para diálogos mais intimistas, principalmente os entre Carol e Maria, e na maneira com a qual ele insere o público nos anos 90 - época na qual o filme se passa. No pôster de Capitã Marvel está escrito "mais alto, mais rápido, mais longe", um slogan mais do que apropriado para um filme que, por fim, é a história de uma mulher que cai muitas vezes mas que se recusa a ficar no chão.

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