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Albatroz

6.3.19

Albatroz || Estreia em 07 de março de 2019
Crítica: Karla Nayra


O fotógrafo Simão (Alexandre Nero) se depara com um dos maiores dilemas que um profissional da fotografia pode enfrentar. Em uma viagem com a atriz judia e amante Renée (Camila Morgado), testemunham uma tentativa de atentado que termina com o criminoso capturado. As fotos daquele momento podem render a Simão, por um lado, prestígio e fama por um clique no momento certo, mas por outro lado duras críticas por escolher fotografar ao invés de agir em favor da vítima. Isso se transforma em uma polêmica e em uma crise na carreira do fotógrafo que decide fotografar sonhos. A trama segue a partir daí.

A temática do filme, os sonhos, é boa e imaginativa. É possível desenvolver infinitas narrativas a partir do assunto. E é justamente essa a proposta inicial do filme. Todavia, ao longo da narrativa há uma série de interrogações as quais a obra não resolve e nem se compromete a resolver. As motivações dos antagonistas não estão claras e o que é apresentado no roteiro é inconsistente. Os personagens não possuem progressão dramática e com isso cometem o “pecado” de não terem camadas desenvolvidas nas suas complexidades. Isso gera pouca empatia com o público. A trama apresenta um triângulo amoroso básico: a esposa traída, a amante e um homem com questões profissionais e emocionais não resolvidas. Além disso, há a figura de Alicia (Andrea Beltrão), uma namorada de infância que é rejeitada por Simão. Não se sabe porque ela ainda continua presa ao passado.


O filme tem uma proposta arrojada em termos estéticos e visuais, mas na estrutura básica da narrativa, no que se refere aos personagens, não consegue romper com uma discussão já esgotada e muito bem elaborada pelo debate público contemporâneo: o homem está no centro de tudo o que acontece nesse filme. Trata-se de um padrão machista no qual o homem possui todas as mulheres à sua disposição e em nenhum momento esse padrão tradicional patriarcal é questionado em uma obra que se coloca como disruptiva. Isso é uma contradição.

Tecnicamente, o filme é uma busca por recursos nas origens literária, musical e fotográfica e esses elementos formam os fundamentos básicos do filme Albatroz, dirigido por Daniel Augusto. Trata-se de uma proposta ousada em termos estéticos. Todavia, ousadia não é sinônimo de sucesso. Quando vamos ao cinema, ainda buscamos por uma história que nos convença, que nos intrigue. No início, o filme até começa a elaborar a narrativa para entregar uma história, mas não termina. Não é possível identificar nem mesmo o gênero do filme.

Para quem gosta, assim como eu, de um desafio mental audiovisual, o filme ainda é problemático, pois aposta em uma quantidade absurda de efeitos tornando-se visualmente cansativo. Foi difícil manter os olhos abertos até o final, a retina não aguenta. Em Albatroz, o cansaço visual foi tão intenso que prejudicou até mesmo a disposição em tentar desvendar outras questões colocadas no filme.

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