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Se a rua Beale falasse

4.2.19

Se a rua Beale falasse || Estreia em 7 de fevereiro de 2019
Crítica: Karla Nayra

O mesmo diretor do aclamado Moonlight, Barry Jenkins 
entrega mais uma obra prima que já possui três indicações ao Oscar


O diretor Barry Jenkins já disse a que veio. Ele deseja (e consegue) abordar temas políticos relevantes por meio de sua arte em uma das mídias mais potentes em termos de comunicação: o cinema. Se a rua Beale falasse é uma imersão profunda no debate sobre o racismo que borbulhava nos Estados Unidos na década de 1970. O movimento negro lutava pela conquista dos direitos civis e por isso, a segregação racial e a perseguição aos negros eram cada vez maiores.

O diretor nos apresenta essa realidade por meio dos personagens Tish (Teyonah Parris) e Fonny (Stephan James), um casal de jovens negros moradores do Harlem, periferia de Nova Iorque, que planejavam uma vida juntos. Eles têm seus planos interrompidos pela prisão injusta de Fonny. A trama se desenvolve a partir da tentativa de Tish e sua família provarem a inocência do jovem. Nesse percurso, Barry Jenkins nos mostra como as instituições de um Estado preconceituoso podem ser absurdamente predatórias. Isso nos faz refletir sobre a contemporaneidade do tema do filme que é bem atual.


Algumas obras se destacam pelo incômodo que provocam por sua característica abjeta, mas aqui o cuidado com a estética fílmica é bem calculado. Mesmo que o bairro seja pobre e a casa um barraco mal acabado, os objetos estão milimetricamente organizados em cena. As cores são quentes e demonstram que, apesar de muito pobre, a atmosfera do ambiente é de amor e unidade. Essa é uma característica que o diretor deixa bem marcada e conforme a trama avança, é possível enxergar com mais clareza essas características.

Político, o filme têm cenas de arrepiar cujos discursos nos transmite a importância da luta negra naquele contexto. No primeiro ato, preste atenção na frase “erga a cabeça irmã”, ela significa muita mais do que a cena está dizendo. Isso me levou ao arrepio.

INDICAÇÕES AO OSCAR

Este é um roteiro adaptado do romance de James Baldwin, lançado em 1974. O diretor e roteirista Barry Jenkins produziu a obra em apenas seis semanas e recebeu a indicação de melhor roteiro adaptado. A trilha sonora possui grandes artistas que protagonizaram a luta negra, entre eles Nina Simone. A música está profundamente conectada as questões políticas do filme e também por isso recebeu a indicação de melhor trilha sonora. Espero que ganhe! Regina King interpreta a mãe de Tish e, por ser coadjuvante, tem menos tempo em cena. Todavia, quando assume seu papel, o cenário é preenchido pela presença de uma mãe lúcida, atenta e que está disposta a guerrear por sua família.

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