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Querido Menino

20.2.19

Querido Menino || Estreia em 21 de fevereiro de 2019

 
Depois de ter sido indicado ao Oscar em 2014 pelo filme “Bélgica”, o belga Felix van Groeningen faz sua estreia nos cinemas norte-americanos com “Querido Menino”. Além da direção, Felix assina o roteiro com o escritor australiano Luke Davies, que já foi indicado ao Oscar por seu roteiro para o filme “Lion”. “Querido Menino” é baseado em dois livros, sendo um de mesmo nome escrito por David Sheff, jornalista e escritor norte-americano, que em primeira pessoa conta a história de seu filho dependente de drogas e o livro “Cristal na Veia” escrito também em primeira pessoa por Nic Sheff, filho de David, aonde ele relata sua história como dependente químico.

O filme tenta abordar a história de Nic (Timotheé Chalamet) de maneira sensível e busca manter um olhar de compreensão tanto para ele quanto para seu pai David (Steve Carrell), entretanto, por conta da edição e da direção o filme cai em um estado de mesmice que parece querer mais que o público passe por uma montanha-russa de emoções do que de fato acompanhar a jornada de Nic e de seu pai. Carrell, Chalamet e Jack Dylan Grazer (que interpreta Nic quando criança) conseguem desenvolver em cena uma relação que parece orgânica mas Felix van Groeningen pesa a mão na direção quando corta diálogos muito rapidamente, com o excesso de flashbacks que distanciam o público da história ao invés de aproximar, também com algumas escolhas um tanto óbvias na trilha sonora.


O que mais se destaca no filme é definitivamente a sua edição. A escolha de uma narrativa não-linear com o uso de flashbacks que mostram tanto momentos mais banais da infância de Nic quanto momentos nos quais os diálogos parecem prever o que está para acontecer na vida dele ajudariam o público a conhecer melhor esse personagem, mas a direção se mostra tão obcecada em criar paralelos entre a infância de Nic e seu presente que tudo se torna repetitivo. As cenas do passado de Nic e David não estão a serviço da história desses personagens, e sim a serviço da direção e do ciclo extremamente mecânico que ela cria. Ciclo este composto por: uma cena aonde Nic tem uma recaída, flashback de sua infância, um diálogo entre Nic e David, outro flashback, Nic em recuperação, mais um flashback, outra recaída de Nic, e assim sucessivamente. Naturalmente, recaídas fazem parte de todo o processo que envolve o tratamento de dependentes químicos mas aqui este ciclo se mostra muito mais interessado em causar uma reação emocional no público do que contar a história de Nic.

O que redime o filme são as atuações do trio Carrell, Chalamet e Dylan Grazer, e a direção de fotografia do belga Ruben Impens. Cenas em que há pouca influência da direção de Felix, aonde o foco é justamente o silencioso desespero de David diante de mais uma recaída do filho ou a maneira com a qual a direção de fotografia enquadra os personagens e a atenção dedicada ao ambiente aonde eles estão, mostram que apesar do calculismo da direção ainda há um olhar sutil na sua estrutura. São essas cenas que revelam que a relação entre Nic e David é muito maior do que a estrutura rígida do filme permite mostrar e que conseguem trazer o público para perto dessa relação.

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