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Poderia Me Perdoar?

6.2.19

Poderia Me Perdoar? || Estreia em 7 de fevereiro de 2019
Crítica: Raísa Maris Reina


Lee Israel foi uma autora americana que, apesar de ter escrito biografias, ficou mais conhecida por ter forjado mais de 400 cartas de autores já falecidos que vão de Dorothy Parker a Louise Brooks e Noël Coward. Baseado no livro de mesmo nome escrito por Israel, Poderia Me Perdoar? mostra esse período da vida da autora.

A proposta do filme é desafiadora para a direção e o roteiro, na medida em que tem como protagonista uma personagem que não é gostável e que, dependendo da forma com a qual a história dela fosse abordada, faria com que o público sentisse pena dela. Entretanto, tanto o roteiro, escrito por Nicole Holofcener e Jeff Whitty (indicados para o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado), quanto a direção, de Marielle Heller, conseguem mergulhar dentro do universo de Lee Israel, interpretada por Melissa McCarthy, de forma orgânica e bastante íntima com um olhar empático diante da solidão de Israel. Além disso, o filme também consegue, em determinadas cenas, fazer uma discussão importante sobre o mercado editorial americano e toda a agonia que é estar em meio a um bloqueio criativo e a pressão de se manter uma escritora de sucesso depois que um livro seu esteve na lista de best-sellers do jornal The New York Times.


Melissa McCarthy, mais conhecida por seus papéis cômicos, transita tranquilamente entre cenas dramáticas e entrega uma performance cheia de nuances e que lhe garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Tão dedicados quanto a atuação de McCarthy, a direção de fotografia e o design do filme direcionam muito de sua atenção para o apartamento de Israel e aos objetos que ela manuseia frequentemente; a televisão virada aonde ela copia as assinaturas dos autores, a comida de seu gato que ela prepara todos os dias, as diversas máquinas de escrever (cada uma etiquetada com o nome de um autor), o copo de whiskey que Israel levava ao trabalho. Esses detalhes que aparecem em todas as cenas e a atuação minuciosa de Melissa McCarthy fazem com que o público se aproxime de Israel e de seu mundo em cada mínimo detalhe.

Além das indicações para Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz, Richard E. Grant que interpreta Jack, o amigo e cúmplice de Israel, também foi indicado para Melhor Ator Coadjuvante. De início parece improvável que duas figuras tão opostas consigam desenvolver uma amizade, mas justamente as cenas e os diálogos desses dois outsiders que se trombam em meio a tanta tragédia e desespero que são as partes mais memoráveis do filme.

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