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Estás me matando Susana

3.2.19

Estás me matando Susana || Disponível nos serviços de streaming
Crítica: Karla Nayra


Uma crítica às comédias românticas, o longa é sobre a história de um casal de artistas mexicanos repleto de incongruências. O roteiro não se compromete em resolver os conflitos que apresenta, mas a sacada deste filme está em como os casais mais comuns podem lidar (ou não) com seus problemas juntos, sem ter necessariamente que resolvê-los de uma forma previsível.

Eligio (Gael García Bernal) é um típico “machão”. Ao mesmo tempo que deseja a segurança de um casamento, mantêm casos extraconjugais para se divertir eventualmente. Para ele, nada há de errado em sua conduta. Susana (Verónica Echegui), sua esposa, cansada das “puladas de cerca” do marido decide deixá-lo sem avisar. Em uma manhã, Eligio acorda e, com o passar das horas, percebe que Susana foi embora. Desesperado, vai em busca de sua amada. Para encontrá-la, Eligio necessita fazer alguns desapegos, mas não consegue se abandonar o principal: seu machismo.


A trama se desenvolve a partir da busca de Eligio pela esposa. Porém, outros elementos de ordem política são incluídos como por exemplo, as relações entre Estados Unidos e México. Desde a cena da imigração (presente no trailer) até a forma como a conexão entre americanos e mexicanos é estabelecida. Outro tema evidente é o machismo estruturante do qual Eligio está contaminado. O filme também é uma crítica a esse estereotipo que, por pensar tanto em si e em suas próprias necessidades, acaba não percebendo como seus defeitos afetam outras pessoas e, nesse caso, sua esposa.

O filme não tem a menor pretensão de oferecer uma solução fechada. Assim como nas relações dos casais mais prosaicos, essas soluções não são tão simples nem tão fáceis. Essa dificuldade é belamente demonstrada na atuação de Verónica Echegui, que mal consegue e encarar os problemas de seu relacionamento. Ela foge e há momentos que até sua fala fica comprometida, tamanha é sua incapacidade de enfrentar seus demônios. A atriz faz isso de propósito e nos transmite a angústia de uma mulher que tem muito a dizer, mas não consegue.

Para quem espera um final feliz, o filme é uma decepção. Mas se você busca um filme que foge da fórmula convencional e desafia o espectador a pensar em outras possibilidade fílmicas, então você pode gostar dessa obra. Trata-se de um filme de amor, mas também uma comédia, um drama. A obra é o resultado de uma mistura de elementos narrativos tão comuns e filosóficos quanto a nossa própria vida.

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