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A Mula

14.2.19

A Mula || Estreia em 14 de fevereiro de 2019
Crítica: Karla Nayra


Uma reflexão sobre a brevidade da vida 
 
O que é o tempo afinal? Clint Eastwood tenta responder essa questão em uma história dirigida, produzida e protagonizada por ele mesmo, grande ícone do cinema hollywoodiano. A obra é uma reflexão angustiante sobre nosso profundo ressentimento em não ter o controle do tempo. Estamos subordinados a ele. O tempo é o senhor de todos, ninguém o controla.

A Mula é baseada na história real de um senhor que, aos 90 anos de idade e por questões financeiras, decide realizar o transporte de drogas para uma organização criminosa. Após ir à falência em seu negócio, Earl Stone (Clint Eastwood), aceita viver na ilegalidade como “mula”, ou seja, aquele que faz o transporte da carga ilícita. Com acesso a grandes quantias em dinheiro, ele conhece um novo mundo. A partir daí surge outra questão: o que o dinheiro pode comprar? Essa pergunta fica evidente e Earl Stone está claramente consciente de que não pode comprar ou recuperar o tempo perdido e tenta compensar no presente o que não fez no passado.


Mesmo com uma reflexão dessas o filme é um típico “polícia e ladrão”. A diferença é que estamos do lado do ladrão, compreendendo-o e sobretudo torcendo para que ele não seja preso. Esse aspecto me lembrou a obra revolucionário de 1967, Bonie and Clyde cujo remake está disponível no Netflix. Do outro lado da trama estão Colin Beates (Bradley Cooper) e Trevino (Michael Peña), dois agentes da narcóticos que perseguem o transportador de ilícitos. Houve um momento em que as histórias de Earl e Colin se encontram e o diretor talvez tenha deixado de aproveitar uma oportunidade única de tornar esse encontro mais denso e profundo, elaborando melhor o personagem de Bradley Cooper. A impressão que tive foi a de que Cooper poderia ter sido melhor aproveitado. Um infortúnio.

Você espera de tudo em uma trama como esta, menos sorrir. Todavia, há um alívio cômico que funciona muito bem, pois é acrescido na dose certa. Há também algumas críticas sociais trazendo a obra para um debate sobre preconceitos estruturais. O diretor deixa claro que por mais velha e “tradicional” que possa ser uma pessoa não há desculpas para ser racista. Por outro lado questiona também o preconceito contra a velhice. Afinal, a vida também é envelhecer. Há ainda questões sobre a xenofobia e a forma desrespeitosa com a qual os imigrantes são tratados, especialmente os mexicanos.

Para mim, trata-se de um reflexão muito pertinente, especialmente quando liderada por um homem que já viveu tantas histórias na vida real e no cinema. Não sei se com vocês isso tem acontecido, mas acho que nesse momento em que vivemos tantas tragédias seguidas o ato de pensar sobre a angústia de sermos prisioneiros do tempo se faz essencial e necessária.

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