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Um Homem Comum

30.1.19

Um Homem Comum || Estreia em fevereiro de 2019
Crítica: Karla Nayra


Este filme não é sobre um homem comum, como diz o título. A história é de um general (Ben Kingsley) que atuou na guerra da Iugoslávia (1991 - 2001), tendo sido responsável pela morte de milhares de civis. O homem é procurado mundialmente e, muito sábio na arte de se esconder, ele jamais foi capturado e vive como um homem comum em cada cidade que escolhe como esconderijo.

Como já era de se esperar, ao encontrar Tanja (Hera Hilmar), uma empregada doméstica coagida a lhe servir, o general se mostra um típico militar. Ele realiza uma série de inspeções na moça, vigia cada gesto e a trata como um de seus soldados. Militares não são profissionais. Eles não saem dos quartéis e voltam para suas vidas pessoais. São militares 100% do tempo, fardados ou não. O que Ben Kingsley nos entrega com sua brilhante atuação é a interpretação de um militar genuíno.


Basicamente os dois personagens conduzem toda a trama: a empregada e o general. As relações entre os dois seguem uma progressão que tende a impor, mais adiante no roteiro, o relevante papel de uma presença feminina. Todavia, a figura do típico homem militar é protuberante e não concede espaço à crescente da personagem Tanja. Por falar nisso, percebi também que Tanja é a única mulher do elenco. Em um momento em que questões de diversidade de gênero estão cada vez mais presentes no cinema mundial, acho um pecado gravíssimo que só haja uma mulher no elenco. E isso se torna ainda pior quando ela representa a parte mais frágil de toda a estrutura narrativa.

Entretanto, há no filme uma dualidade interessante. Ao mesmo tempo que o general se esconde, ele deseja ser visto. Além disso, ovacionado por seus “feitos” na guerra e encontra quem o faz. Em uma cena é possível ver sua imagem pintada em um muro como forma de homenagem. O general vê a necessidade de se esconder, mas a mensagem passada por ele é de orgulho e não de resignação por ter sido responsável pela morte de milhares de inocentes. Ele se define um herói e não um vilão.

A direção opta por planos e enquadramentos bastante comuns. Não há uma ousadia por parte do diretor nesse sentido. Todavia, a estratégia escolhida para filmagem funciona a contento. O jogo entre os personagens possuem um bom ritmo e é bem equilibrado. Sobre a estrutura, o filme investiu em uma produção bem modesta e isso prova que é possível contar boas histórias sem grandes produções.

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