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Normandia Nua

16.1.19

Normandia Nua || Estreia em 31 de janeiro de 2019
Crítica: Raísa Maris Reina


Depois de Ou Tudo Ou Nada (1997) e Garotas do Calendário (2003), a nudez coletiva chega ao interior da França com Normandia Nua. Dessa vez, o que motiva a pequena aldeia de Le Mêle-sur-Sarthe é a crise econômica e o descaso da imprensa parisiense diante dos problemas dos camponeses. Georges Balbuzard (François Cluzet), o dedicado Prefeito, busca de todas as formas chamar a atenção das autoridades e quando o fotógrafo americano Blake Newman (Toby Jones) chega à aldeia com a ideia de fotografá-los nus para seu projeto, ele vê nessa visita uma oportunidade de conseguir atenção para a causa dos camponeses.

O filme todo é construído a partir de conflitos que são iniciados com a presença do fotógrafo, como a crise conjugal do açougueiro e de sua esposa, e conflitos que já existiam antes de Newman chegar, como um empresário parisiense que insiste em viver no campo contrariando sua filha e dois camponeses envolvidos em uma briga por um terreno há anos, e o próprio Prefeito cuja esposa o largou por conta de sua excessiva dedicação à aldeia. Normandia Nua busca dedicar um pouco de sua atenção para cada um desses conflitos e como eles são afetados pela questão da fotografia. Apesar de alguns desses conflitos não serem tão desenvolvidos quanto outros, a organicidade com a qual o roteiro trabalha os diálogos e as atuações conseguem deixar com que essas questões de desenvolvimento fiquem em segundo plano.


Em certa medida, o filme é sobre como a pequena cidade – majoritariamente representada pelo Prefeito – e o fotógrafo enxergam a nudez: enquanto que para este é uma busca infinita pela beleza artística motivada por um trauma de infância, para a cidade é uma questão de, finalmente, serem vistos e ouvidos. Ambas as motivações são válidas, porém, diante do desespero dos camponeses por conta da crise, as motivações de Newman tornam-se praticamente fúteis e o comportamento dele em determinadas cenas reitera um distanciamento emocional dele diante do que acontece com a cidade. A ideia da fotografia mobiliza toda a cidade quase que como uma catarse coletiva e, enquanto isso, Newman sobe nas costas de seu assessor para não pisar na lama, evita qualquer contato com os camponeses e conversa só com o Prefeito, e é sempre o único com roupas formais.

O que pode ser dito acerca do final do filme é que ele talvez ofereça uma solução simples para um problema muito maior do que o próprio filme em si, que é a crise econômica e seus desdobramentos na França rural. Apesar disso, por conta do roteiro e da direção de fotografica Normandia Nua consegue mostrar de maneira autêntica os trabalhadores de Le Mêle-sur-Sarthe e os desdobramentos de seus conflitos.

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