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Guerreiro do Vento || Janelle Taylor - Trilogia Lakota #1

14.1.19


Quem ainda lê romance de banca? Vira e mexe eu encontro alguns em sebos, troco no Skoob ou compro na Estante Virtual. A publicação deles acabou, mas tem muito livro bom que ainda não ganhou a sua versão livraria. Para quem não se lembra, os romances de época, ou históricos, começaram nas bancas e hoje ganharam as estantes de muita gente. Esse é o caso da trilogia Lakota, que foi lançado nos anos 2000 pela extinta Astral Cultural e não ganhou uma nova edição ainda. Aqui no site tem a resenha do segundo livro, que quando eu li não sabia que era a continuação, e agora pretendo colocar em ordem. Guerreiro do Vento fala do encontro de duas almas destinadas a ficarem juntas e salvarem suas tribos.

Waci Tati, ou Guerreiro do Vento, logo herdará a tribo que defende, só que para isso precisa se casar novamente. Mesmo sendo contra sua vontade, Guerreiro do Vento acata as ordens do pai e do xamã da tribo. Chumani está na mesma situação, sendo que é filha do líder de uma tribo amiga. Os dois se casam tendo uma missão pela frente: o de ajudar seus povos. Essa profecia, por assim dizer, foi vista pelos xamãs das duas tribos. Guerreiro do Vento e Chumani acabam se apaixonando e o casamento que começou como arranjo se torna verdadeiro. Mas essa situação pode estar ameaçada com a invasão cada vez mais presente do homem branco.


Esse livro se passa no período da colonização americana e será sobre o ponto de vista dos nativos. Foi uma leitura interessante nesse ponto, porque geralmente são os colonizadores que narram o seu lado. Aqui temos os índios lidando com todas as complicações que essa invasão traz, e não só em relação as mortes. Tem partes do livro que falam sobre as doenças que os brancos trouxeram, como destroem a natureza e a sua ganancia por cada vez mais. Traz também a questão do escambo, a troca de ouro por objetos. Tem uma cena até engraçada das índias lavando roupa no riacho e a protagonista está com dificuldade em retirar manchas e a outra fala sobre o sabão, a barra gordurosa que tira sujeira.

A escrita desse livro é diferente sobre dois aspectos. Primeiro que foi escrito a muito tempo, então tem várias palavras difíceis e que não são muito usadas hoje em dia. Segundo que a autora trouxe o lado dos índios de verdade, os personagens não tem nomes comuns, então é Guerreiro do Vento, Gota de Orvalho, Penacho Vermelho e por aí vai. São características físicas às vezes ou habilidades que dão nome a eles. A construção das frases também é diferente. Não são frases complexas, mas elas não têm tantos artigos, adjetivos e outros componentes gramaticais. Além disso, o livro não tem tantos diálogos, e sim descrições das cenas.

Eu gosto desses livros que trazem a temática indígena como centro do enredo e apresentam sua cultura e seus costumes. A leitura não é complicada, mas também não é rápida. A construção não usual do texto às vezes trava a fluidez da narrativa. Fora isso eu gostei do livro, tem um romance diferente, mais puro e ligado à questões que estão acima da vontade dos personagens. O enredo não é focado só nisso, fala também de colonização, tem aventura, ação e intriga. É um livro que pode passar despercebido, mas que quem parar para ler pode se surpreender. A ideia agora é adquirir o terceiro, reler o segundo e finalizar a trilogia.

Guerreiro do Vento
Janelle Taylor
Nova Cultural

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