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A Festa

7.1.19

A Festa || Disponível em serviços de streaming
Crítica: Karla Nayra


Bill (Timothy Spall) é um professor universitário que abandonou sua carreira para apoiar sua esposa Janet (Kristin Scott Thomas) em sua carreira política. Ela ascende ao cargo de ministra da saúde e, muito satisfeita, decide oferecer uma pequena festa em sua casa. Durante a recepção, acontece de tudo menos a desejada comemoração. Revelações dramáticas e ultrajantes veem à tona. O que deveria ser uma comemoração se torna, ao mesmo tempo, discussões de relações afetivas, acertos de contas e uma espécie de terapia com incrementos de crenças metafísicas.

Apesar de coadjuvante, April (Patrícia Clarkson), amiga de Janet, se destaca por seu tom hiper-realista trágico e cinicamente engraçado. Seu papel, combinado com a de seu namorado, Gottfried (Bruno Ganz), um coach de vida completamente conectado às questões espirituais eleva o material fílmico. Ambos não combinam em absolutamente nada, mas ainda assim conseguem se encontrar na desordem de suas convicções tão distintas. É muito bonito ver toda essa ambiguidade colocada dessa forma em um filme.


O final é surpreendente, recompensador e engraçado. O filme é muito sensível ás questões de cada personagem e se coloca presente para os dramas apresentados. A diretora e roteirista Sally Poter sabe como equilibrar os diálogos e, principalmente, a atuação de cada personagem. As cenas são ricas e dotadas de muitas referências à política e às nossas incoerências cotidianas. A obras possui um ritmo muito bem orquestrado pela diretora e brinca com as nossas “certezas” que, na verdade, nunca estão certas de absolutamente nada porque certezas na vida simplesmente não existem.

A diretora Sally Potter é certeira ao escolher o preto e branco para tonalizar sua obra predominantemente colorida pelas texturas das metáforas sentimentais vivenciadas por seus personagens. O filme não necessita de cores explícitas. Todos os tons estão muito bem expostos pelos atores interpretando cada personagem. A heterogeneidade nas atuações acrescentam à obra uma dramática e ambígua dose de comédia e tragédia incrivelmente elaborada para se comer com os olhos, literalmente.

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