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15/10/2018

Fahrenheit 451 || Ray Bradbury


Eu morria de vontade de ler esse livro a um tempo já. Ter um enredo focado nos livros me chamava a atenção, mesmo que sendo assustador. Fahrenheit 451 é uma distopia que fala de um mundo onde os livros são proibidos. Os livros foram queimados por bombeiros e essa pratica continua sendo feita quando livros são encontrados. As pessoas que são encontradas com livros também são queimadas. Você entende como o mundo se tornou desse jeito a medida que lê o livro, o autor explicou tudo direitinho meio que para que esse erro não seja cometido. A distopia é dividida em quatro partes e vai acompanhar principalmente o Guy Montag, um bombeiro que entra em crise quando começa a questionar a razão dos livros serem queimados. Uma personagem desperta sua curiosidade até que ele fica com alguns livros.

Num primeiro momento ele não vai entender nada do que está nas páginas. Ele vai ler, mas não vai compreender. Quando ele começa a compreender com a ajuda de um professor, sua vida muda assim como o entendimento dele sobre o que está acontecendo nessa sociedade. O antagonista do livro será Beatty, chefe dos bombeiros e de Montag. Para mim esse é o personagem mais importante do livro. É ele que explica quase tudo do que precisamos saber e joga com a gente o tempo todo. As pessoas não deveriam ler livros, mas Beatty recita Shakespeare de cabeça. Ele sabe coisas que não deveria saber e usa o fato de ser superior ao Montag para impor regras. O questionamento: Beatty usa o fato de ser bombeiro para ter livros em casa e lê-los? ficou comigo a narrativa inteira.
Sabe que os livros cheiram a noz noz-moscada ou alguma especiaria do estrangeiro? Quando era menino, eu adorava cheirá-los. Meu Deus, antigamente havia muitos livros maravilhosos, até que os deixamos partir.

Todo mundo que eu vi lendo Fahrenheit 451 comentou a mesma coisa sobre a realidade da estória. É uma opinião meio que unânime, esse livro tem muito a ensinar para gente porque se assemelha com o que vivemos. Foi um baque ler sobre essa sociedade "imaginativa" e perceber que o autor acertou em muitos aspectos. A gente dá preferência sim a tv do que aos livros e vivemos histórias que não são nossas. Eles têm algo parecido com uma tv interativa, onde eles escolhem os programas que querem ver e o enredo deles, com as suas participações, eles se tornam personagens. Eu logo pensei nos realities shows, muito famosos nos anos 2000, e nas redes sociais. A vida real se misturando com a vida virtual até o ponto da gente não conseguir distinguir uma da outra.

Fora ser parecido com o que nós vivemos nos dias de hoje, o que choca nesse livro é como esse regime foi instalado. Foram as pessoas que deixaram isso acontecer, que quiseram que isso acontecesse. Não foi o governo que impôs, as pessoas deixaram. Começa com os livros sendo editados e ficando menores, os shows musicais diminuindo de tamanho e virando músicas que você escuta pela tv, a própria tv mastigando tudo e facilitando a vida... chegou um ponto que a vida foi tão facilitada que as pessoas perderam o interesse de pensar e questionar. Não tem relação com a famosa frase "É só pegar na internet"? Ver essa similaridade com um livro escrito na década de 1953 assusta. As referências podem até ser antigas, mas a mensagem é muito atual.
Como uma pessoa fica tão vazia?, perguntou a si mesmo. Quem esvazia a gente?

A edição da Biblioteca Azul que eu li foi essa das fotos, mais nova, e que conta com um prefácio do Manuel da Costa Pinto que eu achei bastante interessante. Ele contextualiza a distopia, conta um pouco sobre os personagens e já nos dá uma ideia do que esperar do enredo. Muita gente não gosta de ler esses textos para não pegar spoiler, mas eu não me importo. Do que o Manuel falou, o que ficou para mim foi o comentário dele sobre a distopia de Bradbury ser sobre a industrial cultural e não um regime totalitário. A cultura de massa se tornou tão alienadora que o governo usou isso contra o povo. No fim do livro também tem um posfácio do autor que comenta sobre a escrita de Fahrenheit 451, e traz o diálogo de uma peça entre o Montag e o Beatty maravilhoso. Fora a crítica dele sobre as edições de seus livros.

Eu tenho a impressão de que não importa quantas vezes eu leia esse livro, sempre terá algo novo que eu possa tirar. Não vou mentir e dizer que entendi todas as referências, então sei que preciso revisitar esta estória para tirar o máximo proveito dela. Foi uma leitura assustadora em muitos momentos, difícil em outras, mas muito prazerosa e reflexiva. Você olha para os livros com outros olhos depois de Fahrenheit 451. Assim como para o que está acontecendo nesse momento. O final tem uma beleza triste, mas também esperançosa. É um dos finais de enredos mais bonitos que já li, especialmente para quem gosta de livros e entende a importância deles. Esse é o tipo de livro que eu recomendo ter na estante pra sempre e lê-lo sempre que necessário, como agora.
Somos todos fragmentos e obras de história, literatura e direito internacional. Byron, Tom Paine, Maquiavel ou Cristo, tudo está aqui. E a noite avança. A guerra começou. E estamos aqui, a cidade está lá, toda envolta em sua própria capa de mil cores.
Fahrenheit 451
Ray Bradbury
Editora Biblioteca Azul: Facebook

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1 comentários:

  1. esse livro deve ser sensacional, uma distopia que assustadoramente representa muito do que estamos vivendo em nossa sociedade atualmente, com certeza está na minha TBR

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