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05/09/2018

Marvin

Marvin || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 06 de setembro de 2018
Texto: Alan David


Marvin (Finnegan Oldfield) é um jovem rapaz estudante de teatro procurando um lugar ao sol. Ele saiu de uma cidade pequena onde morava com uma família que dificultava sua vida devido ao seu jeito de ser. Além disso, o bullying que ele sofria quando criança era muito pesado. Mas seja no passado com a ajuda da diretora da escola (Catherine Mouchet) ou no presente do qual teve alguns mentores, incluindo Isabelle Huppert (fazendo ela mesmo), ele alcança os palcos. Marvin usa toda a carga do passado para alcançar o sucesso. Produção francesa com direção de Anne Fontaine.

A ideia do roteiro é mostrar um rapaz homossexual que tenta ser um ator de teatro, mas com atitudes e mesmo uma empatia que chega a ser incômoda. Mas logo de cara se tenta justificar mostrando flashbacks dele criança, isso toma praticamente 2/3 da história. As cenas de bullying são pesadas, por ter um jeito delicado já dá para imaginar o que os garotos tentavam fazer. Aliás, o menino é um bom ator (Jules Porier), mas essa “violência escolar” também não é nada que não tenhamos visto em outros filmes que abordam esse assunto.


A aposta mesmo é na interação com sua família... seus pais e irmãos, praticamente tudo voltado ao pai. As cenas são gravadas em uma casa humilde e apertada, que não são ruins. As cenas que mostram a transição dele da infância para a fase adulta, e seu gosto pelo teatro é até monótona. Entende-se também, devido a personalidade do garoto e isso é questionado dentro do próprio filme, que essa parte dele na infância é bem resolvida. O problema mesmo é quando ele está entrando na fase adulta.

Toda vez que Marvin aparece no presente, isso até que a história dele quando criança se resolva, as cenas são sempre voltadas para seu lado homossexual, sendo elas de sexo, situações ou menções. Fica dando a entender que o personagem não tem nada a oferecer além da sua opção sexual. Tanto que você fica esperando voltar para o passado, porque mesmo de forma lenta, algo está sendo desenvolvido ali. Parecia que o plot principal estava no flashback, pois na hora que voltava para o presente o rapaz não era desenvolvido e sempre sexualizado. Nem a entrada de Isabelle Huppert ajuda, porque logo já foca nas decisões do garoto e no vislumbre com situações e pessoas que apareceram na sua vida.


Até que chega a parte final, com o passado resolvido e mais cenas do Marvin adulto. Acaba que essa parte mostra que ele tinha conteúdo melhor, só que ai fica corrido, devido a opção de roteiro que poderia ter resolvido sua parte de interesses afetivos na primeira cena, duas no máximo. Isso acaba deixando um vácuo de que sua família o prejudicou tanto assim, pois o roteiro fica refém de ter que finalizar logo a história. Atuações boas e como dito, o Marvin adulto só é desenvolvido de uma forma melhor na parte final. Ainda temos Huppert sendo ela mesmo, o que é um plus interessante para a história.

O longa tem um bom design, mas a edição peca um pouco em alguns momentos, pois um flashback tem que bater com que acontece no presente, senão ficam duas histórias correndo para qualquer lado e só se encontraram no final e fica estranho. Tem uma sensibilidade que você compra; a trama do passada é muito superior a do presente, até por não se conectam direito, mas tem seus bons momentos e não é nada muito cansativo. Só precisava ser mais alinhado em suas linhas temporais. Ficou bom, mas inferior a outros filmes franceses que vi esse ano como Troca de Rainha, O Orgulho e Nos Vemos no Paraíso.

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