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01/09/2018

As Herdeiras

As Herdeiras || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreou em 30 de agosto de 2018
Texto: Alan David


Produção paraguaia que está levando muitos prêmios em festivais, As Herdeiras é a história de um casal de senhoras ricas da terceira idade, que estão sofrendo com a falência e estão se desfazendo de todos os seus bens e passando muitas dificuldades financeiras. As coisas pioram quando Chiquita (Margarita Irún) é presa por problemas fiscais, com isso Chela (Ana Brun) vai precisar sair do seu marasmo e cuidar das coisas enquanto sua esposa está passando por esse momento. Nisso, uma vida que ela nunca esperava se abre, pois a partir do momento que ela começa um trabalho informal como taxista sua vida mostra novas possibilidade. Com direção de Marcelo Martinessi, temos uma história de pessoas que tinham tudo e depois perderam, e nessa dificuldade uma delas encontrará motivos para mudar, a outra não.

Uma visão interessante de contar uma história já conhecida de pessoas que tinham tudo e perderam. Apesar de não se explicar de onde veio a riqueza e nem como chegaram à derrocada financeira (fora o que acontece com Chiquita, pois simplesmente só acontece), o roteiro foca em passar a história do casal pós falência. Atitude interessante, pois deixaria muito extenso a duração do filme, mas uns minutinhos explicando sobre isso ajudaria. Só que pela temática e narrativa, talvez ficaria fora do ritmo que tudo é conduzido. A história começa meio melancólica com pessoas comprando os bens do casal e de cara já se separa bem a personalidade de cada uma. Chela é uma pessoa introspectiva e Chiquita ativa.


Você logo se apega pela última e dá a entender que tudo será sobre o lado dela das coisas, mas na grande virada que é feita de forma bem natural e até sem graça, chega a hora de Ana Brun (Chela) brilhar. Mas quando você começa a ficar desanimado ao perceber que agora é com ela, devido até então apresentar uma personagem amargurada e improdutiva, ela consegue, de forma única, especial e sem uma grande mudança de feições, de forma gradual, ganhar o filme. Nada de pessoas que saem do zero a cem de atitudes em pouco tempo, não ficaria natural. Aqui se tem o cuidado de mudá-la bem lentamente; nisso ela entrega muito bem, consegue transmitir ao público uma pessoa de verdade que está se redescobrindo sem grandes alardes.

Os contrapontos são interessantes, pois aquela rotina e tristeza de Chela com a situação atual delas são contrastes à sua relação com Chiquita. Longe dela tudo fica diferente, quando ela volta a interagir com sua conjugue você consegue entender o que a prende. Além das próprias dúvidas da personagem, ela é insegura, não consegue se expressar. Quando ela é posta em situações inesperadas tudo fica bem alinhado, inclusive com personagens que são incluídos depois. O filme se resume a jornada dela, até porque se você pegar a situação financeira que causa todo o plot, você fica em dúvida por alguns motivos não explicados para se chegar ali. A condução desse processo e para onde está indo todo o dinheiro das coisas caras que elas estão se desfazendo, o roteiro não parece importa-se de explicar. Ele foca em deixar a jornada da protagonista envolvente para que o público não perceba ou se importe com isso.

O fato de ganhar muitos prêmios em festivais são importantes, mas não primordiais para quando vai as telonas, pois o júri dessas premiações são de outro tipo de gosto cinematográfico, mas realmente esta bem gravado. Ana Brun está muito bem, fotografia e todo o design da ambientação consegue expressar os sentimentos ali oferecidos. A trilha não me encanta e o roteiro tem furos sim, mas no geral é uma bonita história cotidiana que se expressa em sentimentos de uma personagem que estava certa que só estava vivendo por viver, sem expectativa de algo novo. Ficou um bom filme, mas nada muito além disso.

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1 comentários:

  1. Oi Denise

    Não conhecia, mas tb n me interessei mt!

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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