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13/08/2018

O Conto

O Conto || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 18 de agosto de 2018
Texto: Alan David


O Conto, filme produzido exclusivamente pela HBO para seu streaming, é baseado em um conto real com roteiro e direção da novata na função Jennifer Fox. O filme é uma trama delicada em seu desenvolvimento, pois temos a história de Jennifer (Laura Dern) uma mulher já realizada na vida, documentarista e professora, que ao rever antigos papéis com histórias dela com 13 anos percebe que passou por uma experiência muito pesada. Isso atiça sua curiosidade e mesmo depois de muitos anos, ela volta a revirar essa história tentando entender o que deixou passar. A medida que vamos entrando no passado da protagonista a coisa só fica mais obscura e doentia; um drama que remete a situações que não devem passar desapercebido, ao mesmo tempo que mostra como o ser humano pode cometer atos condenáveis.

O começo do filme é muito lento, cadenciando à protagonista para que possamos ter a certeza de que o que está por vir explique os seus motivos atuais. Nisso a opção em diálogos secos, sem consequências, troca de ambientações e comunicações simples, entrega uma trilha de fundo cansativa ao mesmo tempo que desperta o interesse logo de cara. Uma adulta Jennifer conversando com a pequena Jennifer e outros personagens, em uma jogada de quarta parede interna, personagens do presente e passado dialogando entre eles e se questionando, tudo na visão da atual Jennifer — pois todos seus questionamentos surgiram após ela reler o tal conto desencadeia uma estruturação de personagens para quando chegar a hora do plot prender sua atenção ou chocar, mais a segunda opção.


A história que vai se desenvolver é a da pequena Jennifer de 13 anos. Sabe aquelas crianças prodígios que agem e “pensam” como adulta? O contraponto disso é mostrado de um lado com os pais, que não tentam entender as mudanças de uma criança entrando na adolescência, e do outro com um casal complicado formado por Bill (Jason Ritter) e a Sra G (Elizabeth Debicki). Os olhares para a menina e como eles são apresentados geram muitas desconfianças, que se confirmam assim que o casal ganha a confiança total da criança, passando a tratá-la como adulta. Nisso a trama atinge seu objetivo e começa uma sequência perturbadora com cenas fortes. O que começa com uma tensão, afirmação e intenção, se torna real.

(SPOILER)
A produção no maior estilo HBO choca com as cenas de um adulto fazendo sexo com uma criança, chega a ser incômodo. Daí quando você acha que a coisa não podia ficar mais pesada, acredite, fica sim. Esse incômodo, que até o próprio filme parece ter, segue até praticamente o final da história, mas fica evidente o direcionamento naqueles atos o que se quer explicar... A critica social é grande. O filme mostra como se deve ter cuidado com a sexualização cedo das crianças, atitudes dos pais que não enxergam que seus filhos estão mudando e com quem eles se relacionam. A história é tão absurda que você acha que vai ter uma reviravolta no final e fica se perguntando: como os pais não perceberam pelo que a filha estava passando?
(FIM DO SPOILER)


Mesmo se questionando anos depois, a personagem de Laura Dern não posa de vitima. A todo tempo ela só quer entender melhor como chegou naquela situação. Aliás, batem muito nessa tecla de que ela não é a vitima, a própria personagem também fala isso, mesmo quando todos os outros dizem o contrário. Sem entregar muito, isso é tratado dubiamente até a última cena. No mais, a trama constrói todos os personagens do passado para entender como aquilo chegou aonde chegou. Tecnicamente está normal, um filme de cotidiano e mesmo com os flashbacks não tem uma grande ambientação. A maioria das cenas são dentro das casas, com exceção de uma ou outra cena na fazenda que se passa a história do passado.

As cenas fortes do filme são um pouco incômodas, pois a mensagem já estava entregue. Não é qualquer pessoa que vai conseguir assistir, é um assunto delicado e que está ai no dia a dia. Não se pode esconder, por isso toda a análise tem que ser cuidadosa. Acho que a HBO poderia ter usado menos cenas assim, pois tinha uma história chocante em mãos, só que enrolada demais em sua estruturação para depois entregar muitas cenas fortes. Como produção sem si é bem feita. A interação entre presente e passado ficou boa, as atuações também, principalmente da pequena Jennifer (Isabelle Nélisse, esteve no filme Mama) que faz a trama principal, já que a Jennifer adulta passa maior parte do tempo divagando e indo para lá e para cá.

Achei regular, mas com uma mensagem de alerta muito importante para as pessoas (pais principalmente) e também choca saber que houve uma história assim e mais ainda, que os responsáveis pela criança não perceberam.

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