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24/08/2018

Histórias que nosso cinema (não) Contava

Histórias que nosso cinema (não) Contava || Classificação: ★★★ (Bom)
Estreou em 23 de agosto de 2018 || Texto: Alan David


Histórias que nosso cinema (não) Contava é um documentário brasileiro que fala sobre a Pornochanchada, filmes de cunho erótico. Só que bem mais do que simples longas de cenas de sexo, as verdadeiras mensagens que eles queriam passar remetiam a época que nosso país viva, ditadura, recessão e censura. Esses longas curiosos eram um retrato do que acontecia na época e isso é retratado usando partes autorizadas de 26 filmes desse gênero. Todos foram editados e montados por Luiz Cruz, com direção de Fernanda Pessoa. O filme é uma aula de história bem-humorada e critica sobre o Brasil.

Esse tipo de gênero de produção requer cuidado e nesse caso então... São 26 longas para editar de forma coesa, retratando nas telonas suas mensagens... não é fácil. Eles tiraram as cenas de sexo e pegaram as partes importantes, mostrando que nesses filmes também imperava a censura. Os artistas tinham que maquiar suas obras para poderem se expressar contra a ditadura militar. O filme passa por várias épocas, abordando temas como a exploração feminina e desvalorização e valorização da mesma, violência militar, ostentação, a entrada da TV, preconceito, socialismo e tudo que já vimos em outras histórias dessa época, seja em longas-metragens, livros, novelas e séries da TV.


A direção é coerente, muda de um assunto para outro sem misturar para não confundir quem esta assistindo. Curioso como ele não repete tema, são muitas coisas para contar em apenas 1h20 de duração. Claro que não eram grandes produções e algumas atuações eram fracas e muita coisa datada, por isso nem todas as passagens são interessantes. Mas existe sim expressão de sentimentos ali, acaba que esses filmes eram muito mais do que um simples pornô soft como todos pensam. A ideia do longa é boa, são mensagens subliminares de assuntos delicados e outros não, um retrato brasileiro de uma época dura e de mudanças.

A parte da violência militar é a que mais prende a atenção, a crise no país também, assim como éramos (ou será que somos ainda?) visto pelos EUA, tudo isso hora satirizado e hora cutucando a ferida, como uma linha do tempo, é bem funcional. O trabalho de montagem é impressionante. No inicio achei que ficaria meio confuso, mas não ficou, está bem feito. Claro que as imagens e atuações da época não ajudam muito, o que traz em algumas partes falta de interesse ou uma certa sonolência. É preciso entender que esse tipo de documentário é full montagem, não entra nada novo, nem sequer uma narrativa externa, mas não é difícil entender o que acontece nas cenas e a mensagem que querem passar.

Enfim, esse documentário traz uma forma interessante de tirar esse rótulo que os Pornochanchada eram filmes impróprios e com atuações ruins. Eles também eram, na verdade, uma forma de expressar crítica social e protestar desde coisas prioritárias a fúteis. Mesmo não sendo interessante o tempo todo, é uma aula de história nacional bem curiosa. Ficou bom.

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