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17/08/2018

Escobar - A Traição

Escobar - A Traição || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 23 de agosto de 2018
Texto: Alan David


Mais uma vez temos a história do famoso líder do Quartel de Medellín da Colômbia nos anos 80, um dos maiores traficantes de drogas da história que trouxe muitas dores de cabeça tanto para seu país natal como para os EUA. Pablo Escobar, agora interpretado por Javier Bardem, tem sua principal trajetória narrada sobre a visão da jornalista Virginia Vallejo (Penélope Cruz), com a qual teve um caso. Toda ascensão, afirmação e queda de um dos homens mais perigosos da história do narcotráfico, sob a direção de Fernando León de Aranoa e baseado na biografia da própria Virginia.

Escobar – A Traição é uma produção espanhola, que conta uma narrativa que está sendo bastante contada por outros filmes e séries em um pequeno intervalo, mas de um ângulo diferente. Sim, duas temporadas de Narcos, Conexão – Escobar (com Bryan Cranston), Feito na América (com Tom Cruise) e agora Escobar – A Traição. Uma overdose de Pablo Escobar que parece não ter saturado o mercado cinematográfico, são vários ângulos e visões da mesma história. Agora o diretor León de Aranoa usou a biografia de Virginia Vallejo, mas nem tudo é na visão dela. Para falar a verdade, quando se tem Bardem não dá para se deixar de lado.


Baseando-se na biografia de Virginia, é estranho o quanto a narrativa segue Escobar e deixa a jornalista um pouco de lado. Mas foi bom, porque a atuação de Cruz é artificial. Ela não parece à vontade na personagem, com uma atuação forçada. Narcos traz uma trajetória mais detalhada e com personagens secundários melhores trabalhados e a comparação é eminente. Assim como de Escobar, já que o roteiro prioriza contar de forma resumida sua história. Quem assistiu Narcos não terá acréscimo nenhum, não acontece nada que eu não tenha visto na série da Netflix e que não tenha pontos importantes em Conexão – Escobar ou Feito na América. Então partirei do principio que a pessoa não assistiu essas três produções ou principalmente a série.

A caracterização de Bardem chama a atenção, deixando a visão de Escobar caricata e escrota. A história foca o tempo todo em deixá-lo com poucos resquícios de humanidade, praticamente ele comete atrocidades atrás de atrocidades. Até porque, por ser uma versão resumida de sua trajetória, o roteiro pega o que de pior ele fez e potencializa o que já foram atitudes bem terríveis. Realmente, toda a maquiagem que vai do rosto a barrigona o deixa com um visual bem desagradável. Como toda biografia, não foge a regra com começo, meio e fim. Interessante que não temos muito da visão de Virginia e isso foi uma opção de produção, que focou em Escobar. Ele tem história para contar, ruins sim, mais tem.


Tudo é montado para que Virginia entre em pontos-chaves, às vezes de perto e às vezes de longe... mostrando sua reação com cada ato do traficante. Tudo se mantém assim, mostrando cada ponto-chave e como Virginia se comporta com isso e como essas atitudes afetam ela. Além disso, tenta-se trabalhar o lado família de Escobar com sua esposa (bem interpretada até por Julieth Restrepo) e isso acaba dando sustância para a trama, assim como o agente Shepard (Peter Sarsgaard) com Virginia. Nada que chame muito atenção, por dois motivo: Javier Bardem tem presença demais e seu personagem tem uma história e tanto. Escobar – A Traição tem uma parte técnica muito boa, com design, fotografia e tudo que uma caracterização de época precisa, você compra que está nos anos 80. A trilha sonora também é muito boa, tem sua tensão no tempo certo.

Só que tudo isso é para contar a mesma história novamente. O intervalo de tempo é muito pequeno para focarem no mesmo personagem tantas vezes, não importa o ângulo que seja. Mas quem nunca viu Narcos vai ficar satisfeito com o Escobar de Javier Bardem e estranhar as caras e bocas de Penélope Cruz. Confesso que estou saturado com essa história, e isso acabou não me trazendo nada de novo. Mesmo com a decisão de focar em Bardem, o longa trouxe tudo que eu já tinha visto a pouco tempo. Mas ainda bem que focaram nele, porque Cruz está fraca no papel. No geral é um bom filme, mas ele toca em assuntos que estão batendo na tecla muitas vezes ultimamente.

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