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27/08/2018

A vida em família

A vida em família || Classificação: ★ (Ruim) || Estreia em 06 de setembro de 2018
Texto: Alan David


Essa é uma produção italiana que se passa em um pequeno vilarejo chamado Desperata, lugar esquecido pelo governo ao mesmo tempo que pacato e monótono. O seu prefeito, Filippo Pisanelli (Gustavo Caputo), também não se mostra muito motivado à administrar o lugar. Ele prefere mesmo dar aulas de poesia para presidiários e é lá que conhecemos Pati (Cláudio Giangreco), que viu nos poemas uma forma de mudar. Já o seu irmão, o peculiar Angiolino (Antonio Carluccio), está ensinando o filho de Pati a ser bandido como sendo a “profissão” da família. E por fim tem a Eufemia (Celeste Casciaro), que além de não deixar seu filho aprender besteira com o tio, ainda tem que lidar com seu comércio e o trabalho na prefeitura batendo de frente com Filippo para melhorar a cidade.

O filme mostra vidas cotidianas, cada pessoa com sua história cruzando com outra à medida que a narrativa avança. A direção é de Edoardo Wispeare e o longa chega aos cinemas brasileiro em 06 de setembro. Apostar em uma trama de vidas cotidianas não é uma opção fácil, pois as pessoas querem ir ao cinema para sair do mesmo. Mas aí você pensa "ah tem prisão, redenção e tudo mais que envolve os irmãos bandidos", só que nada disso se sustenta. A primeira cena chega a ser cômica de tão lenta e forçada; o presídio é a coisa mais banal do mundo, você demora a perceber que se passa dentro de uma cadeia devido as roupas deles, o local em que estão e não ter um guarda.


O roteiro tenta emplacar várias tramas para irem se cruzando na certeza de passar a mensagem da evolução das pessoas, de procurarem ser melhores do que estão no momento, alcançar algo mais. Só que isso é feito de forma tão banal e preguiçosa que da sono, literalmente. Os atores são péssimos, tirando o prefeito e a Eufemia, parece atuação de filme B dos anos 1970/1980. Nada se sustenta, às vezes você tem a impressão que tem alguém segurando uma cartolina atrás deles com as falas. O casting é muito ruim. À medida que a história anda o roteiro trás algumas cenas cômicas, principalmente por causa do Angiolino, mas são de uma atuação tão dura e inocente que sinceramente, só ri em uma cena que foi a única hora que pareceu natural.

Mais para o fim temos o ápice, só que isso foi de uma forma tão forçada que você pensa “ok então, termina isso, pelo menos entregou o que queria mesmo deixando alguns furos”, mas a história continua. Aparece um novo personagem do nada e sem utilidade alguma no quarto final do filme. Teria sido melhor terminar com todos os furos, que não foram explicados. Não sou expert em cinema italiano, mas dá impressão de terem feito de qualquer jeito e para não se levar a sério. Nem fica muito claro a mensagem a ser entregue, até porque quando você acha que entregou, ele continua a história e piora o que já estava enrolado.


Para não dizer que é um desastre total, a fotografia é linda, a história se passa a beira-mar. O design é bonito, entrega aquela ambientação de cidade pequena e cotidiana, aquelas com senhores em porta de bar ou bazar jogando conversa fora ou jogando cartas só olhando movimento. Mas o longa fica insistindo toda hora nisso, aliás quase duas horas de filme que chega a ser um teste de sono. Meia hora a menos e terminado aonde parecia que ia terminar ficaria mais aceitável. Fechando, tem boa trilha sonora, idioma italiano tem um sotaque muito bonito, o que acaba dando peso a algumas falas que não ficariam bem em outro idioma.

No geral o filme é uma bagunça que só. Tenta fazer um monte de situações e resolve poucas, inclui e tira gente durante a história do nada o que acaba não sendo uma boa experiência cinematográfica, em duas horas então, nem pensar.

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