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23/05/2018

Dave McKean vem ao Brasil para lançar sua HQ, “Black Dog”

A convite da editora DarkSide® Books, Dave McKean, renomado quadrinista e ilustrador, chega no país para uma tour. Primeiro ele participa do FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, entre 30 de maio e 3 de junho, e, em seguida, viaja para o Rio de Janeiro a fim de divulgar o seu recente livro “Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash” de 4 a 12 de junho.


“Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash” aborda, sobretudo, esse período delicado e determinante na vida do pintor, que iria marcar profundamente sua produção artística posterior, e compõe, através das lembranças de Nash e seus companheiros de batalha, um painel multifacetado e tocante sobre como a guerra e situações extremas nos modificam e como lidamos com toda a dor, a perda e o trauma que ela provoca. Paul Nash alistou-se no Exército britânico aos 25 anos de idade, seis semanas após o início do confronto, e engajou-se primeiro como soldado e mais tarde como oficial artista de guerra.

Sobreviveu a muitos dos seus colegas soldados que tombaram nas trincheiras na Bélgica, retornou à sua Inglaterra natal modificado após as terríveis experiências que encarou, e encontrou um propósito para a morte e a destruição que atravessaram o seu caminho. A guerra forneceu-lhe algo a dizer. E o levou a criar pinturas poderosas, fantásticas, perturbadoras e que conseguem transmitir um vislumbre da loucura que a guerra produz em todos aqueles que participam dela. Uma citação recorrente sobre o artista afirma que “enquanto a grande maioria testemunhava as explosões ao redor, para Nash, as explosões aconteceram dentro dele”. E são exatamente as pinturas de Paul Nash — ao lado das memórias autobiográficas que o artista deixou — que inspiraram este lançamento da DarkSide® Graphic Novel.

“Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash” se utiliza de diversas técnicas e estilos, e transforma a linguagem e a estética dos sonhos, dos pesadelos e da memória, com todas as suas alterações e confusões próprias deste estado entre a vigília e sono, influenciando e, por vezes, formando a nossa percepção da realidade. Pensada em cada detalhe, esta graphic novel arrebatadora nos concede um pequeno vislumbre da experiência aterrorizante que foi a guerra para Paul Nash.

Além do próprio pintor, o outro único personagem recorrente é o seu cão negro, que o acompanha, conduz e assombra desde a primeira infância, ainda que alterando a forma e a função a cada momento de sua vida. O cão negro personifica há muito tempo a depressão e o presságio da morte na mitologia e na ficção, simbolismo que aqui tem a função de um fio condutor que nos leva pela loucura e os devaneios de Nash, ajudando a consolidar a ideia de que os acontecimentos e a realidade são muito mais as impressões que ficam com a gente do que qualquer outra coisa.

“Quando me deparo com a obra de Paul Nash, sempre me sinto como se estivesse assistindo a um sonho. É como se estivéssemos olhando para o mundo real através do filtro de sua imaginação. Tantas e tantas pessoas afastam e escondem suas experiências de guerra e não querem falar a respeito – mas artistas como Nash conseguem transmitir suas impressões das pessoas e do panorama e refletir sobre a psicologia daquela experiência”, declarou Dave McKean ao jornal britânico The Guardian.

“Em suas notas autobiográficas, ele começa a falar sobre os sonhos praticamente no primeiro parágrafo. Recorda-se de um cão negro que aparecia constantemente neles. Abordar a sua trajetória através dos sonhos foi a maneira perfeita, uma resposta imaginativa para uma vida e obra bastante reais.”

A mãe de Nash sofreu de demência e foi por fim internada; aquilo o asfixiou, de certa maneira. O cão negro acabou por significar várias coisas: as nuvens da guerra se aproximando, um guia, um alerta. “Meu pai morreu quando eu era muito jovem, e desde então sempre tive uma sensação da morte me rodeando. Não é algo físico – não acredito na vida após a morte, em anjos e nada dessa tolice. É apenas um pequeno zumbido na mente, uma voz insistente com a qual você convive o tempo inteiro”, afirma McKean.

“Olhando para o mundo agora, vendo as pessoas saindo da Síria, o modo como lidamos com a guerra não muda nunca. Essas cicatrizes psicológicas profundas estão presentes, e a capacidade das pessoas para superar isso de algum modo – de maneira criativa, ou seja, como eles conseguem lidar com isso — é tão importante agora como foi há cem anos. E não creio que a natureza dessas cicatrizes mudem”.

“Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash” surgiu de um convite da 14-18 NOW Foundation, do Imperial War Museum, e dos festivais Lakes International Comic Art Festival e On a Marché Sur la Bulle, dentro das reflexões sobre o centenário da Primeira Guerra Mundial. McKean transformou ainda a HQ em uma série de projeções para ser exibida durante uma performance orquestrada, igualmente escrita e apresentada por ele, que também é músico e cineasta. De forma sombria e arrebatadora, McKean transforma em imagens extremamente belas e poderosas as emoções registradas por Paul Nash sobre o conflito e o que resta àqueles que sobrevivem. Ninguém sai impune desta obra-prima.

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