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26/04/2018

Somente o Mar Sabe

Somente o Mar Sabe || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 26 de abril de 2018 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Pelo visto, somente o mar sabe o que James Marsh (Teoria de Tudo) queria com esse filme! A falta de foco torna um filme que poderia ser interessante em ao menos três jeitos diferentes em algo simplesmente maçante, mas é incrível como um bom elenco pode fazer alguma diferença. Donald Crowhurst (Colin Firth), empresário britânico e navegante amador, decide se tornar o primeiro homem a dar a volta ao mundo sem paradas. Vencendo a Golden Globe Race de 1968 e faturando um polpudo prêmio capaz de salvar seus negócios. Deixando em terra mulher (Rachel Weisz) e filhos, ele embarca numa aventura náutica marcada por problemas, inexperiência e desespero.

O longa tem basicamente três núcleos, a área de marketing que luta em manter a viagem de Crowhurst interessante ao público, a família que luta para se segurar com a falta do pai e a própria viagem de um homem completamente despreparado que vê os dias no mar se tornarem um inferno cada vez maior. Cada um desses núcleos têm seus próprios conflitos que os tornam especialmente interessantes. É na execução dos três, ao mesmo tempo, que o filme perde sua força. Sem um foco em algo específico, o filme se perde entre cenas relapsas da família preocupada de Donald fracassando cada vez mais.

Desde cedo que se percebe o problema, ao introduzir Crowhurst, seu empreendimento e sua família (momento em que ele resolve aceitar o desafio naval, a motivação do homem se mostra confusa e nebulosa). Em certo momento, precisa do dinheiro para melhorar a família e salvar a empresa (dita ter problemas, porém muito mal mostrados). Em outro, quer fazer algo grandioso: ser um herói! O fato é que o filme pena em achar seu tema e isso se espelha em cada aspecto dos personagens. É inegável, o talento de Colin Firth e Rachel Weisz! É inacreditável o que uma boa dose de boa interpretação pode fazer com uma cena insossa, sem carga dramática per se.


Colin Firth merece os aplausos de pé, nas intermináveis cenas de Donald parado no navio e sem nada a acontecer. Teoricamente, o personagem estava ficando cada vez mais debilitado, o ator consegue fazer o desespero e a loucura do personagem transparecerem de uma maneira belíssima. É profundamente triste que, sem um arco bem estabelecido, sem mais atenção narrativa à Crowhurst e sua teórica transformação, as cenas com Firth acabem se tornando enfadonhas e repetitivas. E de fato, não há um arco dramático, os sinais de hesitação de Donald Crowhurst já começam a surgir dias antes da partida e, depois de alguns dias, o personagem já está quebrado, desistente, forma que vai se prosseguir infindavelmente até mais próximo do final, onde em uma ou duas cenas uma nova mudança ocorre (maneira deveras repentina) e desencadeia para o ato final.

Pouco importa se essa foi a dura e crua realidade de Crowhurst, essa é a beleza da arte de contar histórias, transformar situações reais em arcos dramáticos. Faltou vermos Crowhurst perder as esperanças, faltou vermos desistir pouco a pouco e faltou sentirmos com ele o desespero de ficar seis meses ao mar. Aparentemente não era sobre isso esse longa, Mas se não é, sobre o que era? Em Somente o Mar Sabe tem o significado perfeito de um filme por demais pretensioso, ao fazer a história do homem que não conseguiu, o diretor quis fazer algo, porém algo bem é complicado de saber o que ele queria (possivelmente um filme de choros fáceis). O longa abraça diversos pontos de vista, tenta falar sobre vários assuntos, mas acaba por não fazer nada direito. De fato, toda a obra parece uma história mal desenvolvida de alguém que não parecia não saber o que contar.

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