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04/04/2018

O Homem das Cavernas

O Homem das Cavernas || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 05 de abril de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak

  
Chato, chato, chato e chato! 

No novo filme em stop-motion de Nick Park (Todos Wallace & Gromit e A Fuga das Galinhas), temos novamente os "bonecos de massinha" com uma animação incrível, mas que não engrena. A história parece interessante no início, porém se desenvolve para algo sem o básico para um enredo instigante, como se alguém que soubesse apenas o simples da narrativa. Falta o que segurar o espectador, o porquê do espectador torcer pelo herói e até a dublagem atrapalha o resultado final. No tempo em que dinossauros e mamutes ainda corriam livremente pela Terra, Dug, um corajoso homem das cavernas, une sua tribo contra um inimigo poderoso da Idade do Bronze, que os expulsa do perfeito Vale em que vivem.

Buscando vencê-lo para recuperar o lar, ele propõe uma ousada batalha entre quatro linhas: um inédito jogo de futebol! O primeiro problema existente aqui é com o protagonista! No início, no intuito de mostrá-lo como um sonhador, tenta convencer a sua tribo a caçar mamutes ao invés de coelhos. Então, aparecem os homens do bronze e agora ele quer convencer a todos a jogar futebol. Nesse meio tempo, não há antagonismos na tribo e ninguém se coloca contra Dug. O único que chega a dizer que não é uma boa ideia é o chefe da tribo (Bobnar), e ainda assim, com muita calma e bons argumentos.


O filme basicamente tenta estabelecer o típico herói romântico, pária da sociedade, que está à frente de seu tempo - como Flik, de Vida de Inseto, sem que esse seja verdadeiramente um pária. Ele é claramente o mais inteligente da tribo e todos o respeitam. Não há nada que o antagonize! O segundo problema são as piadas bobas e forçadas, em conjunto com a dublagem, que ajudou a estragar tudo. O desenvolver do filme é empurrado por um ritmo lento e piadas que tiram algumas risadas no início, e causam vergonha alheia no final. Por causa da dublagem, muitos casos onde a piada claramente se basearia em trocadilhos e usos de linguagem são perdidos, tornando a cena apenas boba.

Isso é ainda piorado quando absolutamente todos os personagens que deveríamos nos importar são alívios cômicos ambulantes, todos idiotizados e incapazes do mais simples raciocínio lógico. Hobnog, o porco cão, é o único que funciona realmente (fato de não falar ajuda muito). O porco faz as melhores cenas e em todo momento reage com incredulidade diante das situações absurdas (a cena onde massageia o lorde Nooth é a melhor do filme). O que não se pode criticar é a técnica do filme, é impecável e consegue dar vida aos personagens com mais propriedade que grande parte das animações em CGI não conseguem.


O estúdio Aardman Animations não decepciona no quesito de construção visual do cenário, personagens e a movimentação que é simplesmente perfeito. O conceito dos personagens também é incrível, e visto sem nunca ter assistido ao filme, parecem parte de alguma animação maravilhosa. É uma pena que toda essa proeza venha acompanhada de um roteiro mediano. O filme se encaminha para uma partida de futebol, onde os clichês estão todos presentes (não me entenda mal, quando bem utilizados clichês são clichês por um motivo), mas falta emoção na partida em si.

É como se, por tudo que aconteceu ao longo do filme, não nos importássemos o bastante com os personagens para sentirmos a tensão da partida (nem ao menos conhecemos os personagens bem o bastante para vermos o treinamento fazendo efeito). E o que deveria ser o clímax acaba passando batido, num final tão chocho que mal vale a acordada do cochilo que com certeza terá tido lugar ao longo do desenvolvimento. O Homem das Cavernas é chato, lento e com piadas fracas! Tecnicamente incrível, mas seus elogios param aí.

O desenvolvimento do filme é tão fraco que fica a dúvida, por que escolheram fazer um filme sobre futebol que se passa na era das cavernas? No final, leva do ponto zero ao ponto zero, pouco muda em cada um dos personagens, o vilão perde de maneira sem graça, e piadas levianas são jogadas na sua cara o tempo inteiro. Talvez crianças gostem pelo humor físico fácil e de bonecos bonitos, mas é bom os pais se prepararem para um belo cochilo.

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