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12/04/2018

Baseado em Fatos Reais

Baseado em Fatos Reais || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 12 de abril de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Como a subestimação ao espectador pode estragar algo com potencial! De um instigante Thriller Dual sobre uma escritora com bloqueio criativo e em crise e uma admiradora misteriosa que trabalha como escritora fantasma para um filme chato exatamente pela previsibilidade. Durante o lançamento de seu mais novo livro, a autora Delphine (Emmanuelle Seigner) conhece Elle (Eva Green), uma de suas fãs, que lhe pede para autografar seu exemplar. Elle também é escritora, trabalhando como ghost writer em biografias de celebridades. Aos poucos as duas se aproximam, com Elle se tornando cada vez mais presente na vida da autora.

Por mais que às vezes se sinta incomodada com a onipresença da nova amiga, Delphine permite a aproximação devido à sua fragilidade emocional, o que logo se revela um erro. O filme é baseado em no livro D'après Une Histoire Vraie, de Delphine de Vigan. O nome da protagonista foi alterado para o da autora numa brincadeira interessante, que se desenvolve numa premissa interessante quando não somente tenta revelar aos poucos os passados das personagens e também gerando a tensão no mistério (brinca com a ideia de delírio do escritor, quando não se sabe bem o que é real e o que é construo da mente perturbada de um autor).


O problema está na subestimação! A verdade é que o filme se coloca pretensiosamente como um mistério, porém todos sabemos o que está acontecendo ali. Toda vez que algo é revelado, a sensação é de: "Pois é, já esperava por isso". O roteiro não é exatamente ruim, só esquece de criar sutilezas e sublinhas na narrativa que permitam o delírio no próprio espectador. É como se a verdade da história estivesse embaixo de um véu, mas um véu bem fino, quase translúcido. É bem possível que a história e a forma com a qual trabalha com a metafísica por trás dos escritos de um autor e sua realidade sejam mais bem aproveitados em livro. É possível ver em Seigner a tentativa em criar uma personagem mais dual e complexa.

Talvez mais interessante e menos chata, assim como é possível ver a sinistra femme fatale misteriosa genérica em Eva Green. Em ambas as partes, é a dificuldade do diretor Roman Polanski em dar mais espaço e mais personagem às duas que se torna gritante. No fim, a química entre as mulheres não funciona como deveria e a tensão é formada mais pela experiência do diretor em levar as cenas e a trama que onde deveria estar, choque das protagonistas e o Plot Twist que vai se formando. É uma pena que o longa se encerre como um pretenso diálogo metafísico que não só já era previsto, mas ainda retira todas as possibilidades de dinâmica entre a imaginação do espectador.

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