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19/04/2018

7 Dias em Entebbe

7 Dias em Entebbe || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 19 de abril de 2018 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


O que dizer quando um filme é apenas insosso e sem graça?

O novo filme de José Padilha, o diretor que nos trouxe Tropa de Elite 1 e 2, e a controversa série O Mecanismo, agora traz um filme. Que trata de um interessante caldeirão de tensões e ideologias, consegue fazer algo simplesmente chocho que não se arrisca nos entre-meios ideológicos. Não põe foco onde há tensão e acaba caindo mais para o drama que para o thriller propriamente dito (claramente era o intuito real da obra). Em julho de 1976, um voo da Air France de Tel-Aviv à Paris foi sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para ser negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia.

Sob pressão, o governo israelita decidiu organizar uma operação de resgate, atacar o campo de pouso e soltar os reféns. O filme parte da premissa de trazer mais de um ponto de vista sem necessariamente apontar qual o lado mais certo na situação, e é aí que começam os problemas. Apesar de louvável a intenção, o longa parece frio demais, levantando pouco o debate entre os dois lados (judeus e palestinos ), se fixando mais em algumas negociatas e tensão dentro das "facções". Somando com personagens rasos que são os passageiros vítimas do sequestro, criados apenas para a criação vazia de sentimentos específicos (crianças para comoção e velhos para empatia) e os decepcionantes sequestradores.


No fim, temos um filme parecendo muito mais um relatório que um texto dramático e ninguém gosta de ler relatórios. Ainda sobre os sequestradores, a decepção gerada quando nos deparamos com a dupla, se fundamenta no fato de pouco sabermos sobre eles. São alemães revolucionários partidários dos palestinos, querem, portanto a liberação dos 53 palestinos presos em Israel. E é isso! Wilfried Böse (Daniel Brühl) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike) parecem existir apenas para aquele episódio e mais nada (personagens que atuam como protagonistas é extremamente entediante).

Como nos relacionar com pessoas que não conhecemos? Para Brigitte ainda é criada uma pequena historinha sobre um romance, mas convenhamos, isso se revelou tão ruim quanto parece. Uma construção interessante efetuada pelo longa é a apresentação de um espetáculo de dança israelense que retrata exatamente a tensão e a violência entre palestinos e israelitas. No momento da operação de resgate, o contraponto contínuo de cenas gera sensações fortes e permite um clímax bom. De fato, muito superior ao filme como um todo!

7 Dias em Entebbe é uma infeliz decepção! José Padilha parece ter focado nas áreas erradas do evento e falha tanto como um drama, apresentando personagens rasos e de psicologia simplista, quanto como um thriller. Incapaz de gerar a tensão que é esperada, não que o filme seja um completo fracasso, longe disso, é bem fácil encontrar longas na mesma temática bem inferiores. Mas também não é possível chamar de um bom filme e numa triste tentativa de ser isento ele acaba por não debater o que devia.

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