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22/03/2018

Por Trás dos Seus Olhos

Por Trás dos Seus Olhos || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 22 de março de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Esse filme pode ser resumido facilmente com uma única frase: "quando a falta de sintonia e liga entre os acontecimentos estragam a sutileza da construção da história". Os maiores erros de Por Trás de Seus Olhos está presente na narrativa falha e num final mal construído que gera mais estranheza que a pretensa surpresa que pretendia. Gina (Blake Lively) perdeu a visão quando era criança, após um acidente grave. Acostumada à deficiência, ela vive com o marido James (Jason Clarke) na Tailândia, graças a uma promoção que ele recebeu. Gina é completamente dependente do marido, numa situação que agrada a ambos.

Um dia, um médico decide testar uma nova cirurgia em Gina, que permitiria resgatar a visão de um dos olhos. Ao aceitar o procedimento, ela finalmente descobre um mundo novo, munida da vontade de viver várias experiências de que foi privada a vida inteira. Logo, a independência de Gina põe o casamento em risco. Isso, a independência recém conquistada de Gina coloca o casamento em risco, não é muito difícil de entender nem como era o relacionamento entre Gina e James, e muito menos aonde essa história levará. E a primeira vista, parece que teremos algo bom em mãos. O primeiro ato inteiro é feito a mostrar a vida do casal, aparentemente feliz e como é sua relação.


Com uma sutileza interessante é possível ver as pinceladas de um possível relacionamento abusivo, como James de certa forma viciado à posição de cuidador e defensor de Gina. Apesar de alguns diálogos parecerem um pouco forçados, o filme se encaminha para algo bom e tudo muda quando passamos ao segundo ato. Apesar de uma atuação presente e encantadora de Blake Lively, a direção atrapalha mais que ajuda na construção da história. Somos bombardeados com mudanças repentinas de comportamento dos personagens (ainda que justificáveis, poderiam ser trabalhadas de maneira mais sutil e com cenas completamente desnecessárias onde elementos que nunca mais serão utilizados são apresentados), como a cena onde o garoto encontra o corpo de um animal morto e corre para a mãe em um ritmo complexo e estranho.

Parece nunca entender qual será a velocidade do filme, tornando cansativo e aumentando exponencialmente a sensação de "quando vai acabar?". E o filme se fecha com um terceiro ato simplesmente errado. A montagem não funciona e o que deveria ser para surpreender é apenas clichê e cansativo pela quantidade de vezes que o filme faz spoiler para o espectador. As coisas, de certa maneira, saem da linha, os personagens assumem comportamentos ainda mais extremos e terminamos em uma sequência final desconcertante e desnecessária. Aparentemente quem criou a história não sabia como fechar o longa. Em algumas coisas devem ser lembradas!


O diretor faz escolhas acertadíssimas quanto a mostrar ao espectador a forma de entender e sentir o mundo de Gina. No primeiro ato, enquanto ainda cega, efeitos visuais são utilizados para criar uma metáfora em cima da visão imaginativa da protagonista, uma piscina que vira um mar, um chuveiro que vira uma tempestade, alcançando seu ápice na cena da boate, onde o jogo de luzes e sons criam uma imagem surreal e incrível. Além disso, enquanto recupera a visão, somos agraciados com cenas em primeira pessoa, onde vemos o mundo do ponto de vista de Gina e sentimos não apenas sua agonia quanto o alívio e a alegria em ver as cores e os contornos do mundo.

Se Marc Foster conseguisse narrar a história inteira com a proeza que trabalha certos detalhes, poderíamos ter um filme realmente bom. Por Trás dos Seus Olhos é um belo desperdício, mas ainda assim, com uma história interessante, a fotografia é competente e em vários momentos conseguimos sentir lapsos de brilhantismo. Mas apesar disso, o desenvolver dos dramas pessoais, as mudanças de humor e o fechar da história mostram a limitação existente nos que fizeram o filme. Uma pena!

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