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01/03/2018

Motorrad

Motorrad || Classificação: ★★ (Regular) || Estreou em 01 de março de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


O cinema nacional é carente de filmes de gênero e isso todos estão cansados de saber. Logo, é de uma tristeza enorme quando algo interessante como Motorrad surge e acaba decepcionando. A verdade é que na tentativa de fazer algo muito diferente, o diretor Vicente Amorim peca no básico e entrega um filme confuso e sem alma, com personagens chatos e sem motivo pra existir, mas, ainda assim, lindo. Um dos grandes desejos de Hugo (Guilherme Prates) é conseguir fazer parte do grupo de motocross do seu irmão mais velho. Decidido, ele rouba algumas peças para que possa montar sua motocicleta.

Quando consegue o feito, ele encontra com a turma do irmão em uma cachoeira remota, onde fazem uma trilha e se deparam com um antigo muro. Hugo sugere que eles desmontem o muro e sigam a aventura, mas acabam encontrando a dona do ferro-velho de onde Hugo roubou as peças. Ela os convida para um caminho ainda mais radical, só que a diversão vira uma corrida pela sobrevivência quando eles passam a ser perseguidos por motoqueiros sádicos e sobrenaturais. A verdade é que filme tinha tudo para ser bom, e o início dele até sugere certa qualidade. A Serra da Canastra é linda e fornece cenários belíssimos numa fotografia dessaturada que convence.


A primeira cena é isenta de qualquer diálogo e isso gera uma tensão interessante enquanto os personagens parecem que serão capazes de se desenvolver sem a necessidade de muitas palavras. Ao andar do longa vamos conhecendo os outros personagens e, no fim, não nos importamos verdadeiramente por nenhum. Em alguns filmes a falta de diálogo gera coisas interessantes quando somadas a atuações incríveis, mas não é bem isso que vemos aqui. A verdade é que no fim não sabemos quem é nenhuma daquelas pessoas, não sabemos de onde vieram, não entendemos seus laços e acabamos mais confusos que intrigados.

Tênue essa linha entre a confusão barata e a confusão intrigante. Infelizmente é na categoria de confusão barata que esse longa cai. Elementos narrativos diferentes são jogados aqui e ali, a menina sinistra que sempre parece saber mais do que diz, a marca estranha na mão do protagonista, o poço que sequestra pessoas, os motoqueiros onipresentes. Mas nada disso é desenvolvido ou explicado, a garota continua apenas a sinistra até o fim, a marca na mão é só uma marca na mão - que também está na luva de um dos motoqueiros do mal, por algum motivo, o poço só estava ali mesmo pra dar um jump scare barato e sem sentido.


Os motoqueiros onipresentes o são apenas por uma edição e uma noção de cenário mal feitas mesmo, além de um roteiro ruim. O filme termina com você se perguntando, o que diabos aconteceu aqui? E essa não é aquela sensação de "tem algo aqui pra eu entender", não, é a sensação de "nada disso faz sentido". A impressão é que o filme tenta mostrar algo, mas sem jogar na cara, o que infelizmente o leva a não mostrar nada e jogar na cara a falta de capacidade de transparecer o mínimo para intrigar o espectador.

 No fim, o filme parece apenas um roteiro barato com um mistério que é fruto apenas de elementos não explicados (possivelmente porque não têm explicação) e personagens que querem parecer legais, mas são apenas pessoas sem personalidade incapazes de ter uma única conversa sequer com um amigo, namorada ou irmão. Ah, e Carla Salle, a menina sinistra, está claramente em seu modo automático de menina sinistra, visto que não há background algum para a personagem. Triste!

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