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07/03/2018

Medo Profundo

Medo Profundo || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 08 de março de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


"E aí, vai mais um filme de terror com tubarões! Aquela velha obsessão 
hollywoodiana de colocar tubarões caçando moças inocentes em mares revoltosos."

É levemente surpreendente o resultado, não que o filme seja uma obra memorável ou coisa parecida - na verdade ele mal passa do medíocre, mas consegue gerar tensão e suspense numa medida aceitável para manter o espectador interessado. Com um pouco de força, dá quase para esquecer os vários erros horríveis na trama, verdade seja dita. De férias no México, duas irmãs - Lisa (Mandy More) e Kate (Claire Holt) - estão prestes a passar pelos momentos de maior tensão em sua vida: presas em uma gaiola de tubarões a 47 metros de profundidade no oceano, elas terão que lutar contra o tempo para permanecerem vivas. Mas com apenas uma hora de oxigênio e com tubarões brancos rondando o local e as chances se tornam cada vez menores.

De fato, a tensão é o que o filme consegue manter durante um bom tempo. Há o suspense sobre a aparição dos tubarões, que aparecem poucos e em momentos certeiros. Existe uma certa angústia com a posição das irmãs presas no fundo do mar, aquela agonia padrão que se tem ao ver um ser humano pateticamente nadando enquanto tenta escapar de superpredadores, e claro, há o desespero de quem vê o ar de seus cilindros acabando. O que estraga essa tensão é a aparente incapacidade tanto do roteirista quanto do diretor em manter o desespero das personagens, jogando situações perigosas, sem com isso quebrar a verossimilhança com a realidade.


São tubarões que "erram a mira" ao tentar atacar alguém, o sumiço preguiçoso dos predadores dando convenientemente o tempo para que as personagens consigam conversar ou fazer qualquer coisa que o roteiro peça pra elas fazerem, é o tanque de ar que parece ser alheio ao tempo de respiração, com 80 bar acabando em 20 minutos e 30 bar durante eternamente. A verdade é que, para manter as personagens por mais tempo em tela e gerar certo suspense, o diretor acaba por jogar esses momentos de "quase que ela morre" o tempo inteiro sem construir corretamente tais cenas, deixando apenas a impressão de que estamos diante dos mais incompetentes tubarões da história.

E quanto a história, nem se preocupe em prestar atenção nos dramas ou nas histórias das duas irmãs, nada disso importa. Chega, na verdade, a ser intrigante todo o tempo de tela inicial mostrando onde elas estão, porque estão lá, o que as fez ir para lá... Uma terminou com o namorado, a outra é super aventureira, e no fim, nada importa. Nenhum dos elementos construídos no início é desenvolvido, tudo se passa na luta pela sobrevivência, sem nenhum mísero arco de aprendizagem e ninguém muda do início para o fim do filme. Pra não dizer que minto, há um único diálogo, enquanto Kate e Lisa estão no fundo do mar, onde uma diz a outra como a irmã é mais interessante que ela e blá, blá, blá. Nada importante, nenhuma consequência pessoal sobre isso, em seguida estão nadando e gritando novamente.


O filme constrói, em determinado momento, uma boa plot twist que poderia ser ainda melhor se o filme não tratasse o espectador como um idiota (explicar cada detalhe do que está acontecendo ou pode acontecer). Esse excesso de explicação, de certa maneira, estraga parte da surpresa, mas ainda assim ela é bem vinda e dá gás para mais 20 minutos de filme. O problema aqui está na mão do diretor, sem saber onde finalizar, ele acaba estendendo desnecessariamente e o que poderia ter sido um final que daria aquela sensação boa de filme bem acabado virou um final apenas ruim e sem sal.

Medo Profundo não é exatamente um desastre, está na verdade possivelmente acima da média de filmes sobre tubarões que costumam ser todos horríveis (salvo Tubarão, de Steven Spielberg, provavelmente o único filme na temática realmente bom). Este é um longa esquecível, um desses suspenses baratos que você vai, assiste, e vai embora, se esquecendo que ele existe no dia seguinte. Uma pena, havia aqui o potencial para ser algo mais interessante, bastava o diretor saber o que fazer, e não apenas filmar tubarões de CGI e garotas bonitas gritando.

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