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15/03/2018

Em Pedaços

Em Pedaços || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreia em 15 de março de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


À luz das tensões constantes que a Europa vem sofrendo com as crescentes tensões entre imigrantes, descendentes de imigrantes e grupos nacionalistas radicais. Esse filme surge como uma ilustração ótima dos perigos dessa situação. Partindo de um ponto particular, o diretor Fatih Akin consegue transportar o drama pessoal de uma mulher ao macro cenário sociopolítico que a Alemanha passa. Após cumprir pena por tráfico de drogas, o turco Nuri Sekerci (Numan Acar) leva uma vida amorosa e tranquila com a esposa Katja Sekerci (Diane Kruger) e o filho Rocco na Alemanha.

Certo dia ele e o menino estão no escritório e morrem vítimas de uma explosão criminosa, tragédia que deixa Katja sem chão. Ela batalha na justiça pela punição dos culpados (um casal neonazista), e insatisfeita com o desenrolar do caso, decide pela vingança com as próprias mãos. O filme é magistralmente conduzido através de três atos que se formam como capítulos e se desenrolam através de diferentes emoções e temas. O filme se inicia com Nuri se casando (quando ainda preso) com Katja e então salta para alguns anos depois, com a família já estabelecida e feliz. O diretor inclusive faz questão de apresentar a família de maneira que possamos simpatizar plenamente com a dor de Katja.


A explosão do escritório onde estão tanto Nuri como o filho, marca a primeira reviravolta da história e a dor da personagem de Diane Kruger, gerando uma impressão imediata que veremos ali um filme de drama e superação. Vemos a vida da mulher ir ao fundo do poço, o desespero e a situação visceral de uma mãe que perdeu o amor de sua vida e seu filho. A partir daqui, o filme toma uma forma plenamente diferente. Ao invés do drama de superação que aparentemente se seguiria, vemos um suspense de tribunal onde o crime é a explosão do escritório do marido, um ato de terrorismo aparentemente movido por questões raciais por um grupo neonazista.

É aqui que as questões sociopolíticas são geradas com as discussões sobre imigrantes e intolerância racial e cultural. Nessa parte, a linha do certo e errado são bem demarcadas, um crime hediondo e brutal, uma mulher querendo vingança e justiça por sua família, um grupo de intolerantes raciais, ao invés de se perder tempo quebrando esse pretenso maniqueísmo, vemos o suspense que vai se formando no filme, algo claramente mais importante dado os acontecimentos do último ato. E é nesse último ato que as linhas de quebram e a atuação assombrosa de Diane Kruger é coroada - o que é deliciosamente surpreendente, dada a carreira da atriz.

Com algumas reviravoltas ótimas e que se encaixam no que foi construído ao longo do filme (claramente não posso me alongar nisso por perigo de revelar mais que deveria) esse terceiro ato finaliza o longa com chave de ouro e deixa sua mensagem perfeitamente construída, levando à reflexão de todos os assuntos abordados ao longo do filme. Mereceu a indicação ao Oscar, Kruger mereceu o Cannes e o filme merece ser assistido.

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