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22/03/2018

A Melhor Escolha

A Melhor Escolha || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 22 de março de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak 


Toda história é feita de personagens, não importa quão grandioso e interessante tudo ao redor seja, personagens fazem a história. E com certeza esse longa tem isso! Apesar de todos os seus problemas (eles existem) os bons, carismáticos e interessantes personagens, desenvolvidos ao longo do percurso do filme permitem o bom avanço. Trinta anos após servirem juntos no Vietnã, o ex-marinheiro Larry Doc Shepherd (Steve Carrell) se reúne com seus velhos amigos, Sal Nealon (Bryan Cranston) e o reverendo Richard Mueller (Laurence Fishburne), para enterrar seu filho, um jovem marinheiro morto na guerra do Iraque.

Um road movie, aqui você vê as frustrações e os desenvolvimentos desses três personagens. A sutileza com a qual a mudança gradual ocorre, no início eles parecem estranhos que se conheceram em um dia, para ao final serem grandes amigos - ou lembrarem que o são, revela primor tanto na escrita no roteiro quanto na incrível e competente atuação do trio. A verdade é que a compreensão de quem são os personagens e qual o tema do filme fazem tudo funcionar bem. E qual o tema do filme senão empatia? A Melhor Escolha trata de o que faríamos para ajudar o outro, não apenas da perda, mas do que é feito quanto a ela. Doc perdeu o filho, mas o foco aqui não é esse, e sim a jornada de Nealon e Mueller em se conectarem novamente com ele, ajudarem o amigo e, assim, ajudarem a si mesmos.


A joia reside na atuação de Carrell, Cranston e Fishburne. A vivacidade com a qual os personagens são entregues é espetacular, o que poderia facilmente cair em um melodrama, fica sempre na linha entre a comédia e o drama, grande parte pela atuação humana do trio. Cada personagem é único, e desde as primeiras cenas é fácil notar, apesar da ausência de estereótipos manjados. Ao final, é o desenvolvimento deles que importa. O filme, no entanto, tem lá sua cota de problemas. Apesar do roteiro saber levar muito bem a viagem dos três, com situações que mantém o bom andamento da história, é na direção que vemos um deslize. Quadrada e excessivamente simplista, Richard Linklater não entrega planos interessantes ou cenas memoráveis, parecendo estar gravando tudo com um manual de cinema do lado (plano, contra plano, master, a regra é clara e simples demais).

Além disso, a trilha sonora pouco marcante, com um mesmo toque de violão nos lembrando sempre que aí vem cena dramática, ajuda a tirar o brilho que os outros elementos trazem, ao perigo de esvaziar o filme (o que, felizmente, não acontece). A Melhor Escolha é um belo filme que vale a pena ver. Apesar das escorregadas da direção, que podem deixar o filme cansativo, a história é cativante e dialoga com a cultura marcial americana, com suas constantes guerras, dialoga com a perda, e com a empatia e a amizade. Ao fim, tudo pode escorregar, mas são personagens que fazem um bom filme, e aqui com certeza temos três.

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