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12/03/2018

15h17: Trem para Paris

15h17: Trem para Paris || Classificação: ★ (Ruim) || Estreou em 08 de março de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Como uma história incrível pode se tornar um filme tão ruim nas mãos de um diretor tão bom, é uma incógnita tão grande quanto este filme em si, como um todo. A impressão é que Clint Eastwood tentou um manual de como não fazer um filme sobre atos de heroísmo de pessoas comuns, e se esse foi o caso, foi muito bem sucedido. Quando um terrorista invade o trem n° 9364 da Thalys a caminho de Paris, três amigos norte-americanos (Anthony Sadler, Alex Skarlatos e o piloto da Força Aérea Spencer Stone) se esforçam para imobilizar o extremista, armado com um fuzil AK-47 e evitar uma tragédia maior. E essa é uma história que, por Deus, todos (ou quase todos) gostaríamos de ver.

Não são os esforços dos três amigos que vemos em tela, mas sim, um picotado e amontoado de cenas sem motivo algum de existirem e as atuações tão embaraçosas quanto o próprio desenrolar do filme. Na construção da narrativa, vemos entre os tiros disparados dentro do trem e os três amigos resolvendo agir, flashes de suas infâncias e a viagem pela Europa. Mas tudo isso, é tão constrangedor quanto um estranho lhe mostrando fotos e filmagens de sua viagem no meio de um voo (ou enquanto no trem). As cenas são desconexas e praticamente não acrescentam em nada à trama em si, e isso é amplificado pelas atuações ruins e pelo roteiro miseravelmente escrito, que torna tudo mais artificial.


É interessante, de fato, a decisão de trazer os próprios heróis para interpretarem a si mesmos, e se tivesse funcionado, seria algo incrível. Porém não funcionou e é irônico como, ao tentar trazer autenticidade ao filme, Eastwood só o fez ficar artificial, com personagens rasos que nem mesmo parecem ser pessoas de verdade. E é isso que torna as cenas dos passados dos personagens tão constrangedoras (sem um bom texto, boas atuações e um arco de desenvolvimento bem construído). Tudo aquilo parece sem motivo para existir, apenas selfies de desconhecidos e diálogos que parecem ter sido escritos por quem nunca viu um filme ou leu um livro na vida - possivelmente nunca viveu porque ninguém naturalmente fala daquela maneira entre amigos.

A tristeza fica com a cena final, interessante, tensa, onde os amigos finalmente param o terrorista. Ali, há um relance do que poderia ter sido o filme como um todo: um bom thriler de sequestro de trem. Ao final, 15h17: Trem para Paris se parece com aquelas encenações mal dirigidas feitas para documentários de quinta categoria, algo que com certeza não merecia estar estampado na filmografia de Clint Eastwood. Não merecia ser assistido por ninguém e não faz jus ao ato de heroísmo dos garotos. Uma pena!

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