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23/02/2018

Trama Fantasma

Trama Fantasma || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreou em 22 de fevereiro de 2018 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak 


A sensação ao sair da sessão de cinema de Trama Fantasma é de dúvida. Não dúvida sobre a qualidade do filme, pelo contrário, é um filme sensacional. A dúvida é sobre o que é esse filme! Esse é o tipo de longa metragem que parece ser necessário assistir duas vezes para se entender do que se trata realmente, não por sua trama ser complicada, mas por sua construção e sua reviravolta final serem completamente não ortodoxas. É um filme que te diz sobre o que vai ser e termina sendo sobre outra coisa. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica.

Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante. Os personagens aqui, no caso Reynolds e Alma, são loucos a sua maneira. A loucura de Alma é de difícil identificação e citá-la aqui seria apenas um desnecessário spoiler (assista e entenderá). Já Reynolds, este é obsessivo e detalhista com seu trabalho. De certa maneira, ao ver Alma, ele vê alguém que possa vestir seus vestidos e que não o atrapalhe.


Essa loucura obsessiva de controle acaba por gerar uma espécie de energia negativa sob o personagem que sempre acaba explodindo por algum motivo. Pelas palavras da própria Alma, Reynolds é alguém que precisa se tornar frágil em alguns momentos para voltar ainda mais forte. Esse é Trama Fantasma, ou ao menos o que este escritor entendeu sobre o filme. Uma espécie de loucura a dois, quando a loucura de duas pessoas que à primeira vista parece doentia, se encaixa como uma luva e completa-se assim as mentes psicóticas de duas pessoas. O roteiro é, de fato, incrível, visto que o desenrolar do filme em nada leva para esse lado, apenas pincela em frases e situações quem são esses dois personagens.

A história começa parecendo um romance, no entremeio parece um suspense e finaliza parecendo... Bem, é necessário assistir para entender o que o final parece. Em questão dos pontos que tornam essa obra ainda mais interessante é importante aqui citar dois, a trilha sonora e o figurino. Não que as atuações não estejam incríveis, Daniel Day-Lewis está brilhante como sempre, fazendo um personagem forte, obsessivo e introspectivo de poucas palavras. Enquanto Vicky Krieps traz uma Alma que parece fraca a início, mas que demonstra sua força subjugadora em pequenos detalhes nos olhares e falas.


A música está presente em todos os momentos, em vários dando a impressão de se estar na sala de espera de uma loja de costura, em outros trazendo de maneira sutil as emoções que a cena pede - nada nesse filme é explosivo, tudo é sutil. Já o figurino é aquele ponto que obviamente teria de ser espetacular, tratando-se da história de estilista renomado. Alma e Cyril vestem Woodcock e é possível ver o contraste das vestimentas do estilista com as dos outros personagens, as roupas falam, demonstram a personalidade do protagonista e dialogam com as situações, cenas e sentimentos de Reynolds.

 Trama Fantasma gera confusão e chega a parecer chato em determinado momento, mas essa sensação parece ser escolha do diretor, um chateação que demonstra que nem mesmo os personagens estavam entendendo sobre o que era aquele romance. O filme trata sobre o entendimento de um para com o outro e nós embarcamos nessa jornada. Nos confunde não entender aonde vai o roteiro, mas é incrível como, ao final, percebemos uma obra linda. Ainda assim, o filme pode realmente ser chato para muitos, nada é perfeito e o andamento poderia, realmente, ser um pouquinho mais dinâmico.

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