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21/02/2018

Pequena Grande Vida

Pequena Grande Vida || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 22 de fevereiro de 2018
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Para falar desse filme devemos começar deixando uma coisa bem clara: são dois filmes, um até certo ponto e outro depois de uma interessante virada, exatamente quando o personagem Dusan (Christoph Waltz) aparece na tela. A verdade é que, aqui a ficção científica tem uma certa importância periférica, apesar de ser o eixo de onde a trama se desenrola. Nas descobertas e evolução de Paul Safranek (Matt Damon) que o filme se apoia - e por isso mesmo se vê numa mudança de tom tão repentina. Na cidade de Omaha, as pessoas descobrem a possibilidade de reduzir de tamanho para uma versão minúscula.

A fim de terem menos gastos vivendo em pequenas comunidades que se espalham pelo mundo. Encantado após ter contato com amigos que passaram pelo processo, Paul Safranek decide convencer sua esposa, Audrey Safranek (Kristen Wiig) a adotar o curioso novo estilo econômico de vida. A primeira parte do filme é irreverente e até cômica (às vezes, mostrando a vida e as dificuldades do casal Safranek que os levam a decidir a peculiar escolha de se encolherem), é esperado que humanos miniatura consumam menos, assim, fazendo poucos dólares virarem uma fortuna da noite pro dia. O filme nesse primeiro momento discute sobre os impactos sociais que os diminutos causam e sobre o discurso ecológico.
 

Até certo ponto do filme, apesar de surpreendente na sua proposta sci-fi, parece ser algo normal, uma longa comum sobre um casal tentando fazer a vida numa situação no mínimo peculiar. Essa afirmação não poderia estar mais errada. Com uma inesperada reviravolta depois de pouco menos de uma hora de duração, o longa entra num galgar de evolução de personagem no mínimo interessante. Essa reviravolta nos caminhos que o filme seguirá se espelha na revolução da própria vida de Paul, e essa confusão sobre do que diabos esse filme está falando espelha o protagonista igualmente.

O problema é exatamente esse, durante todo o meio do filme ficamos perdidos, com acontecimentos não tão interessantes e uma sensação de que a história perdeu completamente a linha. Se somar isso à retomada, mais ao final, da pegada ecológica (fatalista, diga-se de passagem) que o início flertou, temos uma sensação completa de trem desgovernado. É verdade que no fim realmente tudo meio que faz sentido, quando o protagonista finalmente se aceita e entende, alinhando o filme novamente, mas será que toda essa viagem roteirística valeu realmente a pena?

Pequena Grande Vida parece simples e sem ambição, mas forma uma crescente perturbadora em seu tom e trama. Fazendo o espectador se sentir sem um norte e até decepcionado, o longa é muito bem sucedido em construir e desenvolver o personagem de Matt Damon. Apesar de personagens interessantes e divertidos, essa falta de objetividade na trama pode parecer chato e estranho demais para alguns. Verdade seja dita, nem sempre se acerta plenamente o tom ao subverter seu próprio filme no meio - quase nunca, na verdade, ponto pro longa.

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