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14/02/2018

Lady Bird: A Hora de Voar

Lady Bird: A Hora de Voar || Classificação: ★★★★ (Ótimo)
Estreia em 15 de fevereiro de 2018 || Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Quando se lida com filmes com essa simpática temática que consegue conversar com praticamente todos, é muito comum ver comédias que tratam o fim da adolescência como uma coisa louca e nostálgica ou dramas pessoais (muitas vezes melodramáticos). Onde o protagonista, pouco a pouco, percebe seu mundo se destruir diante da reinvenção que é a chegada da maturidade. Lady Bird não cai em nenhuma dessas categorias, mas se encontra em um misto de ambas, mantendo o bom humor mas, recheando com os dramas e angústias dessa passagem. Isso o torna muito maior que pareceria a uma primeira vista.

Christine McPherson (Saoirse Ronan) está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia. A ideia firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto sua hora não chega, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro e inúmeros desentendimentos com sua mãe.


Talvez o mais impressionante no longa não seja apenas seu tom e ritmo que acertadamente conversam com o espectador e causem empatia quase instantânea, ou a excelente atuação do elenco, com um brilho a mais para Saoirse Ronan que consegue captar a alma de uma garota que é carismática sem nem ao mesmo o saber. Não, o mais impressionante é a fluidez pelo qual várias temáticas e discussões são pinceladas na tela, sem nunca tirar o foco do ponto mais importante, o crescimento de Christine. De problemas financeiros a desemprego na terceira idade, de homossexualidade a solidão depressiva, Lady Bird nos traz diversas situações que acontecem ao redor da protagonista, com seus amigos e familiares e professores.

É um mundo incrível de personagens que não necessariamente orbitam McPherson, mostrando não só seu universo e todas as facetas que levam a seu gradual amadurecimento. O longa aborda as situações de Lady Bird com uma delicadeza e sobriedade cativantes. Com alguns saltos rápidos de tempo e sempre nos mostrando a protagonista de maneira crua. O filme se livra de melodramas baratos e aposta em dramas mais casuais, corriqueiros. Assim, sem o peso excessivo de dramas sem controle, consegue-se um ótimo resultado, uma historia com carisma.


Esse é o brilho que Saoirse Ronan consegue em sua personagem, auxiliada pelo texto divertido e bem construído, uma protagonista que apesar de varias "chatices" típicas da adolescência consegue ser diversidade e cativante. Isso permite ao filme uma transição entre drama e hilaridade sensacionais, dando o tom mais leve que faz desse longa tão interessante. Existe um porém, muitos possivelmente acharão esse um filme chato, é preciso já dizer. O longa depende plenamente na sensação de empatia tanto com Christine quanto com os outros personagens, principalmente com sua mãe.

Sem esse laço criado entre espectador e personagem (e claro, com suas situações), o filme vai trazer apenas uma hora e meia de uma garota chata virando adulta. Mas diante da personagem trazida com tanta delicadeza e detalhamento por Ronan e de uma direção e roteiro escrito com tanto esmero, é possível que essa seja uma minoria. Lady Bird é um longa delicado, divertido, nostálgico e até e muito potente. Com algumas poucas cenas e boas atuações conseguem fazer e mostrar o que longos monólogos nunca conseguiriam. Também é simples e talvez pouco ambicioso em sua direção, mas diante de um filme que trate com tanto carinho de uma personagem e de seu amadurecimento, isso é algo que dificilmente pode ser chamado de falha.

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