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14/02/2018

Eu, Tonya

Eu, Tonya || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreia em 15 de fevereiro de 2018 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak
 
"A verdade é aquilo que contam, esse parece ser o mote desse filme que traz a polêmica história de Tonya Harding."


Com um jeito cômico e atuações beirando ao brilhantismo, esse é um longa biográfico bem diferente da maioria. Não apenas pelo tom, mas também por uma estética em falso documentário que conversa perfeitamente com a falta de uma verdade conclusiva no caso que envolveu duas patinadoras rivais americanas. Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo, Tonya Harding (Margot Robbie) cresceu se destacando no esporte, aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe (Allison Janney). Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly (Sebastian Stan), a atleta acaba envolvida num plano bizarro durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994.

O primeiro ponto a ser elogiado aqui não poderia ser outro que não toda a composição da personagem de Margot Robbie. Num misto de maquiagem e atuação (de longe a melhor da carreira da atriz), vemos uma Tonya Harding sem o glamour e a beleza sempre presente na atriz. A patinadora é uma figura polêmica e uma pessoa, como qualquer outra, isso leva a uma identificação interessante. Até mesmo o jeito de agir e a falar (meio caipira), transbordam o inverso do que Robbie costuma passar em seus papéis. Isso mostra não apenas a atuação ótima como uma composição impecável dentro do filme.


A atriz Allison Janney não fica para trás com sua LaVona Harding, mãe de Tonya e fonte de criação da garota. Existe um ar de excentricidade na maneira de falar e agir, praticamente roubam todas as cenas do início do filme. Uma mulher agressiva, fria e que deseja fazer de Tonya a pessoa que conquistou seus próprios sonhos, LaVona não é tratada aqui com o melodrama básico (eu era dura mas fiz pelo seu bem e blá, blá, blá). O longa como um todo, não há espaço para essas romantizações hollywoodianas, se você se diverte e até entende a personagem no início, a falta de amor e o cinismo vão possivelmente o fazer odiá-la. E é por isso que Janney merece enormes aplausos nessa atuação.

O cômico está presente em todo o longa (ou seria tragicômico? Isso dá a toda a obra um ar de invericidade, de falsidade, que parece ser o ponto ao redor de qual o filme gira). O estilo falso documentário, com os próprios atores, envelhecidos, contando suas versões dos fatos transborda mentira quando nenhum deles se culpabiliza ou admite as coisas que outros fizeram. Quando não em entrevistas, parecemos estar vendo tudo pela versão de Tonya, que desliza entre ser ácida e completamente inocente. É interessante que, no caso da maior polêmica que envolveu a patinadora (ela foi acusada e declarada culpada de participar de um esquema que retirou Nancy Kerrigan das classificatórias para as olimpíadas).


O longa da um veredito que, de algum modo, deixa o espectador imaginando se aquilo não é apenas uma forma de racionalização dos eventos por Tonya. Eu, Tonya é um longa excelente! Seu tom cômico casam com a proposta de invericidade e todos os atores parecem completamente alinhados com isso. Além do ritmo do filme que faz suas duas horas passarem num flash, com uma forcinha da história nem um pouco convencional de Tonya Harding.

Toda a produção tem um nível altíssimo, das maquiagens que transformaram os atores sem os deixarem irreconhecíveis a fotografia, que traz planos belíssimos durante as patinações e planos mais crus durante as cenas de dia a dia. Demonstrando como a vida tinha mais sentido para Tonya enquanto patinando. E a cereja do bolo é a atuação de Margot Robbie e Allison Janney, daquele nível que não se vê todo o dia. É um filme que vale a pena ser assistido, com certeza.

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