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31/01/2018

Todo o Dinheiro do Mundo

Todo o Dinheiro do Mundo || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 1 de fevereiro de 2018 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak 


Alguns filmes ficam marcados por suas polêmicas, até mais que por seus méritos, deixando por vezes a agridoce sensação de que os envolvidos estão com maior destaque que normalmente mereceriam. Isso pode parecer verdade para quase tudo envolvendo Todo o Dinheiro do Mundo, onde o diretor Ridley Scott teve a ousada decisão de regravar todas as cenas feitas por Kevin Spacey, após diversas acusações de assédio contra o ator, mas definitivamente não é o caso do indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Christopher Plummer), que substituiu Spacey como o magnata John P. Getty.

Itália, 1973. John Paul Getty III (Charlie Plummer) é o neto do magnata do petróleo J. Paul Getty (Christopher Plummer). O sequestro do rapaz coloca a sua mãe, Gail Harris (Michelle Williams), em uma corrida desesperada para tentar convencer o bilionário ex-sogro a pagar o resgate, de US$ 3 milhões. É interessante poder ver a diferença entre talento e limitação quando dois atores contracenam. Michelle Williams está apenas bem em seu papel, fazendo uma Gail Harris contida, não brilha como em outros de seus papéis, mas ainda assim é nítida a diferença para com Mark Wahlberg, que faz o agente da CIA Fletcher Chase.


De fato alguns diretores conseguem tirar algo da atuação de Wahlberg, mas não foi o caso de Scott. Aliás, a verdade é que, apesar de um thriller interessante, todo o filme parece morno e é por isso que fica a impressão de que a polêmica trouxe mais luz ao longa que este merecia. Em suas duas horas e dez, Scott faz mais e mais rodeios mostrando elementos que já vimos anteriormente (como reafirmar sempre a avareza de John P. Getty, dando uma crescente sensação de andar em círculos). Isso se soma ao clímax excessivamente cozinhado que dura bem mais que deveria, na tentativa de gerar no espectador o desespero que Gail Harris está sentido, mas que acaba por tirar parte da emoção ao simplesmente alongar além do que o filme permitiria.

Tudo isso acaba gerando um filme cansativo, que dá a sensação de que poderia ter uns 30 ou 40 minutos a menos, característica que ninguém quer, principalmente para um thriller. Dito isso, é interessante imaginar que a atuação de Kevin Spacey não deve ter saído do padrão do resto do filme: bom, porém insosso. É aí, que entra a cereja no topo do bolo: Christopher Plummer. A impressão contínua que fica é que, após a decisão de regravar as cenas com outro ator, Scott assim como Plummer deram atenção especial ao personagem.


Getty está impecável em sua caracterização assim como Plummer brilha mais que todo o resto do filme ao construir o homem mais rico do mundo que recusou pagar 3 milhões como resgate para o neto. Realmente, em alguns momentos, John P. Getty parece inclusive protagonizar o filme. Tudo o Dinheiro do Mundo é um longa competente, o adjetivo inclusive reverbera por toda a produção. O destaque realmente é Christopher Plummer que brilha em seu personagem e acaba levantando a questão, até que ponto toda a polêmica envolvendo o filme e suas regravações foram realmente um revés, e até que ponto ajudaram a alçar uma obra para além do que ela estava "predestinada"?

Tudo o que nos resta é constatar mais uma vez, não só a incrível direção de Ridley Scott, mas o brilhantismo de Christopher Plummer.


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