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10/01/2018

Lou

Lou || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 11 de janeiro de 2018
Texto: Ana Marta || Revisão: Kamila Wozniak 


“A biografia discute a liberdade feminina, mas não há complexidade em seu debate” 

A escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé decide reescrever suas memórias aos 72 anos. Ela relembra sua juventude em meio à comunidade alemã de São Petersburgo. Desde criança, sonhava em ser intelectual e estava determinada a nunca se casar ou ter filhos. Além de trabalhar com nomes famosos, ela escreve sobre os relacionamentos conturbados com Nietzsche e Freud, além da paixão por Rilke e conflitos entre autonomia e intimidade, junto com o desejo de viver sua liberdade. A trama simples e sem muito mistérios, às vezes previsível, aborda questões bem atuais, como a liberdade pessoal e sexual da mulher diante uma sociedade retrógrada.

A protagonista (já idosa), narra os contos vividos quando era jovem no passado, em descobrir o mundo por conta própria e quebrando barreiras dos bons costumes tradicionais. Vemos a personagem a todo momento lutando pela sua liberdade, mas por outro lado também vemos uma mulher sensível e que deseja viver a vida com seus próprios pés. A narrativa é bem suave apesar de questionar assuntos realistas, mas em momento nenhum tenta trazer um debate mais complexo para fora da obra. Somente mostrar, através do ponto de vista da personagem, a beleza e o desejo inocente pela liberdade.


Em algumas cenas, vemos esse desejo de forma simples e doce, após a protagonista enfrentar os próprios conflitos pessoais. O roteiro não é tão perfeito, mesmo trazendo delicadeza e detalhes em seus cenários. Tem um momento durante os flashbacks entre o passado intercalando com o presente ao narrar a história, que ficou cansativo e às vezes causando desinteresse em continuar assistindo. Também diria que a insistência de focar o tempo todo no dilema da protagonista negar casamentos e que essas negações causaram infelicidades aos seus pretendentes durante a vida deles, não tem lógica em tentar encaixar na jornada principal da protagonista.

Outro ponto que chama atenção, é o elenco! O destaque vai para as atrizes que interpretam as fases da protagonista: Katharina Lorenz (Lou entre os 21-50 anos), Nicole Heesters (aos 72 anos) e Liv Lisa Fries (aos 16 anos). De fato, são atuações ótimas que trouxeram todo o conflito pessoal da protagonista. Além disso, temos uma direção de arte que compõe e retrata bem a época em pequenos detalhes, usando a técnica de fotografia e aquarela para compor transições de uma cena outra em cenários externas, como: ruas, prédios e pontes em várias cidades da Europa, dando visualmente um toque mais retrô.

Lou é delicado e belo em narrar os debates feministas, mas sem transformar o discurso da mulher moderna em algo fútil. Apenas mostrar a vida de uma escritora que viveu de acordo com seus pensamentos e atitudes que eram foram do seu tempo.




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