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21/01/2018

Artista do Desastre

Artista do Desastre || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreou em 18 de janeiro de 2018 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


“Tommy Wiseau é uma figura peculiar, ao ponto de 
você se perguntar se é possível mesmo que ele exista”.

O mais peculiar ainda é seu filme, The Room, que foi considerado na época o pior longa de todos os tempos. Ao assistir, você compreende a loucura envolta não apenas do filme, mas também do personagem Wiseau. O roteiro, as cenas, as reações, nada se encaixa, The Room é basicamente quebra de todas as regras básicas de roteiro que aprendemos ao assistir os filmes ou estudando o cinema. O engraçado disso é, que o longa faz de maneira tão absurda que te faz rir e dizer “que filme merda”, mas você diz: “que filme… peculiar”.

É sobre essa obra “peculiar” que Artista do Desastre trata, nos levando a um lugar que (como o próprio início do filme, com relatos de atores), todos que amam a sétima arte temos vontade de ir: ao set de filmagem de The Room. No longa, Greg Sestero (Dave Franco) se aproxima do excêntrico Tommy Wiseau (James Franco), após uma aula de atuação e os dois desenvolvem uma intensa amizade ancorada no sonho em comum de fazer sucesso nas artes dramáticas. Juntos eles partem para Hollywood, onde Tommy, cansado de ser rejeitado em testes, decide produzir, financiar, dirigir, escrever e protagonizar – ao lado do melhor amigo – o longa-metragem que o catapultará ao estrelato: “The Room”.

O mais interessante a se pontuar, o que alça a um nível incrível Artista do Desastre, é a forma com a qual o longa desenvolve uma comédia sobre uma figura tão excêntrica como Tommy Wiseau, sem realmente ser cômica. Não há piadas, há o personagem! Esse personagem, incrivelmente, não é estereotipado! Ele não é um louco construído para tirar gargalhadas do espectador, é um personagem que James Franco retirou da figura de Tommy Wiseau e trouxe com profundidade estonteante. Além da loucura inconsciente de um homem que apenas faz as coisas e nunca fala sobre si mesmo.


É realmente espetacular como terminamos o filme conhecendo tanto e tão pouco de Wiseau – como a cena final inclusive brinca que ninguém sabe de onde veio Wiseau, de onde ele tirou tanto dinheiro e quantos anos ele realmente tem. O personagem de Dave Franco, por sua vez, traz a contrapartida racional para o filme. Mesmo não tão inspirado quanto o irmão, Dave constrói bem o personagem de Sestero, de maneira que o longa continue nos lembrando sempre, aquilo não é uma comédia e nem nonsense; Wiseau é uma pessoa assim como Sestero. Greg é o homem comum, que sonha em ser um ator de sucesso (apesar do fracasso contínuo) e que está ali, interagindo e fazendo amizade com uma figura que ao mesmo tempo parece alienígena e tão humana.

E é nessa interação que a performance dos dois atores brilha e conseguimos ver o brilhantismo por trás do filme. Artista do Desastre é um longa que poderia facilmente ter caído no caminho fácil da comédia paródica, apenas trazendo um homem louco que resolve fazer um filme ruim. Ao invés disso, vemos uma busca de um sonho: Tommy Wiseau não é um personagem de comédia, é um homem completamente peculiar e excêntrico que apenas quer atuar, e faz um filme para isso, um filme que possivelmente traduz sua mente insana. Não é sempre que vemos e rimos de algo tão verdadeiro e humano. James Franco que atuou/dirigiu/escreveu, de fato, está de parabéns!


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