A Essência e o Macaco || Aldous Huxley

01/12/2017


A primeira parte de O Macaco e a Essência é narrada em primeira pessoa. A história inicia-se com Bob Briggs, um roteirista, falando sobre seus casos amorosos, enquanto ele e o amigo, que durante a conversa não consegue deixar de fazer várias reflexões, caminham pelos estúdios. Ambos quase são atropelados por um caminhão que está cheio de roteiros e, numa curva mal feita, esse mesmo caminho acaba deixando alguns dos roteiros caírem.

Curiosos, eles leem alguns e um deles chega a ser tão interessante que os dois vão atrás de quem os escreveu, mas ao chegar ao lugar, descobrem que ele faleceu. Então, entramos na segunda parte da história, que trata-se de alguns cientistas da Expedição de Redescoberta, em um local que sobreviveu a radioatividade, depois da Terceira Guerra Mundial. A distopia se passa no futuro e esse novo mundo é dominado pelos macacos.

No campo da política, o que equivale a um trauma é um exército profundamente disciplinado; a um soneto ou uma pintura, um Estado policial sob uma ditadura.

Fazia muito tempo que eu não lia nada com esse teor reflexivo e quero registrar que todas as minhas impressões são pessoais e partem da minha interpretação, não significam necessariamente que foi exatamente o que o autor quis dizer. A escrita do Aldous Huxley é muito bem elaborada e, por vezes, me peguei relendo alguns trechos para tentar compreender bem aquilo que o autor queria passar. Já na primeira parte alguns trechos me fizeram pensar que Aldous não carrega uma ideologia definida e que, na verdade, ele as vê como algo a aprisionar o homem, escravizá-lo; algo como uma desculpa para os conflitos.

Por aí já podemos perceber que, muito sabiamente, ele estava prevendo o que acontece muito hoje, quando colocamos as nossas ideologias acima até mesmo da lógica. O autor parece fazer uma crítica ferrenha aos avanços tecnológicos, nos dizendo que, embora eles tenham nos proporcionado conforto e elevado nossos padrões, também nos aproximou de uma morte violenta. Acredito que as armas e as bombas que estão ficando cada vez mais poderosas e ameaçadoras estão aí para provar que mais uma vez ele estava certo.

Enfim, o roteiro tem toda uma história, além dessas reflexões que deixam a leitura instigante. O Macaco e a Essência possui poucas páginas, mas são poucas páginas de grande conteúdo. Não há dúvidas de que essa é uma distopia que deve ser lida por todos.

O amor repele o medo, mas, reciprocamente, o medo repele o amor. E não somente o amor. O medo também repele a existência, repele a bondade, repele todo pensamento de beleza e vaidade (...) o medo repele até mesmo a humanidade de um homem.

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Aldous Huxley
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