Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha

17/11/2017

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha || Classificação: ★★ (Resgular)
Estreou em 16 de novembro de 2017 || Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Em vez ou outra, chega ao cinema algum filme naquele estilo “logo vou ver na TV dublado” com algum ator de peso e onde nos perguntamos o porquê de estar fazendo isso. Esse é claramente o caso de fraco Victoria e Abdul, onde Judie Dench mais uma vez faz o papel de rainha Victoria – ela interpretou também a rainha em Sua Maltratado, Mrs Brown. Baseado numa história verídica, Vitória & Abdul retrata uma amizade improvável durante os últimos anos do extraordinário reinado da Rainha Vitória (Judi Dench, a atriz vencedora de um Oscar).

Quando Abdul Karim, um jovem empregado, viaja da Índia com o objetivo de participar no Jubileu de Ouro da Rainha, é surpreendido ao cair nas boas graças da Rainha. Enquanto a Rainha começa a questionar as constrições do seu já longo cargo, cria-se uma aliança inesperada entre os dois, sendo a lealdade que têm um para com o outro ameaçada tanto pela família como pelo círculo restrito da Rainha. À medida que a amizade se intensifica, a Rainha começa a ter uma visão diferente do mundo, recuperando o seu sentido de humanidade.


O longa é bonitinho, não há como negar. Numa construção de personagens e culturas estereotipadas, temos situações divertidas e engraçadas enquanto rimos da futilidade da aristocracia britânica e nos encantamos com as histórias da cultura indiana contadas por Abdul. O problema é justamente aí, onde a parte boa do filme acaba. De fato, ao longo do início do primeiro ato somos apresentados ao enérgico Abdul e à depressiva rainha Victoria, que parece querer morrer logo para que tudo acabe de um vez.

Porém os personagens nunca saem desse nível de complexidade, Abdul continua o indiano alegre e ao final sentimos que nem a menos o conhecemos direito. Quanto à rainha, num arco clichê de depressivo que descobre os pequenos prazeres da vida, temos uma personagem exatamente igual a milhares de outras em tramas parecidas. A amizade entre os personagens parece não ser o foco do filme – apesar de título, tudo acaba resumido numa apresentação fula de personagens e coadjuvantes tão estereotipados que nem ao menos parecem ter vida.


Toda a aristocracia britânica é tratada como aproveitadores preconceituosos e mesquinhos, todos. Não há uma vivalma que pareça fugir disso, o que cria um clima “eles, os maus e protagonistas, os bons”. De fato, grande parte do filme (quase todo o segundo ato e boa parte do terceiro), se foca em tirar sarro de Corte Real e por a rainha lidando com as mesquinhas pessoas. No meio disso, a “amizade” de Abdul e Victoria basicamente se resume em o primeiro ensinar algumas coisas básicas sobre a Índia e ela o promover para além de que seria apropriado à época.

Sem entrar na complexidade da relação entre Reino Unido vitoriano e Índia conquistada, Victoria e Abdul se fixa em forçar uma amizade tão improvável como má desenvolvida, onde mais de uma vez o espectador vai ser perguntar: “mas eles já se gostam tanto assim por que mesmo?”. No final, com certeza o filme tem bem mais pontos negativos que positivos, mas é, realmente bonitinho.




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