Human Flow: Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir

15/11/2017

Human Flow: Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir || Classificação: ★★ (Regular)
Estreia em 16 de novembro de 2017  || Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Do diretor e ativista Ai Weiwei, temos essa bela – porém extremamente parcial – visão dos migrantes de todos os lados do mundo, com um grande enfoque nos refugiados das guerras no Oriente Médio na Europa. Com duas formas de apresentação (uma visão macro e uma micro), o diretor consegue trazer um ótimo recorte pessoal dos migrantes, mas infelizmente falha ao permitir que seu ativismo desvirtue o tão complexo cenário. É lindo como o documentário parece tomar seu próprio tempo, fazendo o espectador ser literalmente apenas isso.

Ao assistir o longa, você se vê contemplando as poéticas imagens e cenas enquanto absorve a realidade daquelas pessoas, por motivos que fogem a seu controle, tiveram de largar seus lares, sua dignidade, mas nunca sua cultura. O diretor inclusive aparece em algumas cenas apenas observando e interagindo passivamente. A todo momento é lembrado que a história é daquelas pessoas, não sua. E realmente, enquanto lidando no aspecto micro, nos recortes das vidas das pessoas que fugiram de suas terras em busca de um futuro ou apenas alguma dignidade, o documentário encontra seu apogeu.


As histórias são reais, tocantes e inspiradoras, e nos trazem a tona a realidade daqueles que são muitas vezes tomados como números. Quando é a câmera incorporar o macro, infelizmente desanda. Talvez por seu ativismo, Ai Weiwei, o chinês trás uma visão plenamente parcial que, em muitos momentos e em muitos cortes e montagens, relembram uma simples propaganda ideológica. Em momento algum é ouvido qualquer sociólogo ou estudioso contrário às imigrações. Nenhum morador dos países que recebem os refugiados é entrevistado para que possa explicitar os impactos no cidadão comum que as ondas de imigrantes causam.

E ainda pior, todas as cenas onde imigrantes são mostrados convenientemente exibe as mais puras e perfeitas pessoas, sem qualquer conflito ou choque entre as culturas e visões religiosas diferentes. De fato, o filme conclui vilanizando completamente qualquer opinião contrária à plena abertura de fronteiras e santificando os refugiados. A verdade é que se Ai Weiwei ficasse apenas no micro, trouxesse apenas os relatos e vivências dos que fugiram de guerras e pobreza deixando aquilo que os tornava cidadãos para trás, o filme apoiaria os refugiados de maneira completamente mais honesta.

Mas ao tentar pintar panoramas geopolíticos, entrevistar especialistas e autoridades sem nunca dar voz ao outro lado, transformou seu filme em uma longa e bela propaganda pró refugiados ao invés de um estudo e relato da realidade dessa situação. De fato, a situação dos imigrantes e refugiados é delicada e uma visão que ouvem suas vozes é admirável e permite um belo documentário que teria pleno potencial de mudar muitas opiniões. Mas o teor propagandístico e a parcialidade obtusa do diretor e ativista acabam por cercear a plenitude e a honestidade do que poderia ter sido um retrato multilateral de tão complexa situação.


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