Boneco de Neve

24/11/2017

Boneco de Neve || Classificação: ★★ (Regular) || Estreou em 23 de novembro de 2017 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak 


Chato e confuso, infelizmente Boneco de Neve cai em algumas das armadilhas e sofre com a falta de foco do diretor. Sem nunca gerar o suspense que precisa, tentando ser mais complexo e soturno que realmente vemos um filme pretensioso que falha nos pilares mais básicos. Quando uma mulher desaparece, a única pista deixada para trás é um cachecol rosa encontrado envolta de um estranho boneco de neve. O detetive Harry Hole (Michael Fassbender) começa suas investigações e percebe que o crime parece obra de um serial killer.

É intrigante o que a falta de noção de qual história contar gera nas telas, Michael Fassbender não está ruim e nem a Rebecca Ferguson, mas o roteiro atrapalha tanto que enquanto o primeiro parece em modo automático, a segunda acaba gerando a pergunta: Por que diabos você está no filme? O que sobra são poses de Harry Hole, que falta um desenvolvimento de personagem e personalidade real. Marcas características apresentadas no início da trama (como um pretenso e clássico alcoolismo) que são ignorados no desenrolar e, ao final, não fazemos ideia de quem é aquele personagem. Será Magneto sem poderes?


Já Katrine, personagem de Ferguson, é instigante de início e com personalidade que aparente motivação, mas a subtrama que vem com ela acaba estragando tudo. Uma subtrama, aliás, que inclui um Val Kilmer esquisitíssimo – talvez pelo câncer enfrentado, com uma boca e queixo que parecem feitos em computação gráfica, é um estilo flashback intermitente que destrói completamente o ritmo e bom andamento do longa como um todo. O pior nisso é que tanto a personagem quanto a subtrama não adicionam nada ao filme, tire aquilo tudo dali e ainda temos Harry Hole vs Assassino da Bola de Neve.

Só serve para confundir porque não ajuda em explicar nada da trama em si – mas tenta justificar a presença da própria Katrine, ainda gera um série de confusões e perguntas. A trama, em geral, não é ruim. O assassino é o antagonista clichê de suspense policial com serial killers: um alvo específico, uma marca registrada, uma motivação louca e uma história trágica. Não tangendo ao lento e chato desenvolvimento, a trama inclusive acerta onde muitos erram, apresenta pistas ao longo da investigação, um bom suspeito ou dois (ninguém realmente compra um deles e uma revelação satisfatória), com um final hilário de tão ridículo.

 A verdade é que Boneco de Neve é mais simples que tenta vender, se perde e sua pretensão de ser complexo acaba virando apenas chato. O filme perde tempo e quebra o ritmo pra algo totalmente desimportante, acaba por não dar a Harry, o protagonista, tempo de tela o suficiente para que este desenvolva alguma personalidade. Esse é o clássico filme de investigação que quer ser o que não é, e acaba falhando no básico. Mas olha, a fotografia é linda.



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