Bela Gratidão || Corey Ann Haydu

22/11/2017


Foi uma surpresa descobrir que a autora de Bela Gratidão era a mesma de Uma história de amor e TOC. O último eu li tem um bom tempo e gostei bastante, ele fala sobre transtornos mentais em jovens com muita verdade e uma linguagem hora leve hora crua. Leiam a resenha depois. Só que com Bela Gratidão o negócio começou a dar errado logo nas primeiras páginas. Ele conta a história de Montana, uma menina na faixa dos 17 anos que foi abandonada pela mãe e mora com o pai que casa como se trocasse de roupa. O pai dela é cirurgião plástico e busca a perfeição em tudo, até nas filhas.

A Montana tem uma irmã chamada Arizona com quem ela sempre foi muito apegada. São as duas contras as madrastas, que foram três até agora. Mas desde que a irmã foi para a faculdade e a melhor amiga também, Montana se sente abandonada. O livro se passa no verão, durante as férias de Arizona, e quando Montana conhece Bernardo, um menino completamente o oposto dela. Bernardo tem uma família unida, que o apoia, amigos, um lugar no qual ele pertence. Os dois começam a se envolver e tudo poderia ficar bem na vida de Montana, se não fosse pela nova madrasta.

Eu passo tanto tempo pensando no que há de errado comigo, me perguntando por que eu não sou uma irmã boa o suficiente ou amiga ou filha, ou pessoa, que a ideia de ser boa é um pouco insuportável.


Gente, não sei como vou fazer essa resenha para vocês. Enquanto escrevo estou me debatendo em como abordar a decepção extrema que tive com essa estória. Se eu não fosse uma leitora com dó de abandonar livro, esse eu teria parado nas primeiras 20 pgs. Vocês sabem, eu sempre leio com aquela esperança de que mesmo se o livro começa ruim, ele pode terminar bom. Infelizmente com Bela Gratidão não aconteceu isso e tudo começou pela protagonista Montana. É ela quem narra e foi irritante ler tudo por umas perspectiva tão insegura e pouco motivadora.

A Montana é uma menina carente que busca aceitação do pai, amigos e do Bernardo. Por ser assim, elas faz mais o que os outros querem do que ela quer. Eu poderia aceitar isso, se ela fosse dessa forma no começo e depois amadurecesse e se impusesse, mas não, ela é o livro todo submissa a vontade de todos. A relação que a Montana tem com a Karissa, uma amiga que ela conhece no inicio do livro, e a Arizona é de carência total. Ela quer que as duas vivam para ela, estejam lá quando ela precisar... tive uma sensação de sufocamento lendo essas partes. Do fundo do coração, tentei entender que a Montana precisa de ajuda para lidar com o abandono da mãe e as relações pessoais, mas a autora não deu abertura para isso.

Ele é totalmente natural e aberto e destemido. Ele é uma alma velha e ingênua e estranha e apaixonada por mim, tudo ao mesmo tempo.


O pai dessas meninas é uma coisa muito estranha. Ele é cirurgião plástico e obsessivo em relação a beleza das mulheres da vida dele. Tive a impressão de que ele escolhe mulheres com defeitos estéticos para se casar e depois que ele faz as cirurgias nelas, ele as descartas. As filhas também. A relação da Montana com o Bernardo poderia salvar esse livro, se a autora não tivesse criado situações que não me pareceram necessárias. Colocou os dois bebendo o tempo inteiro, fazendo piercing, tatuagem, querendo casar, fugir... pra quê? Não tem explicação e essas situações não fizeram bem a nenhum deles no fim das contas. Um momento de excitação para depois ficar muito tempo mal com as consequências.

A única coisa que eu gostei nesse livro foi o diário da gratidão e que faz referencia com o título. A Montana mantém esse diário e coloca nele três coisas que ela é grata. E são coisas que às vezes não fazem muito sentido, como um toque, cheiro ou sensação, mas que me deixou pensativa. Eu sempre fico pensando no que quero conquistar e poucas vezes agradeço o que tenho, mesmo sendo pouco para os outros, ou não fazendo muito sentido, são importantes para mim. Eu gostaria de ser uma pessoa que agradece mais e esse ponto no livro foi interessante. De resto nada mais funcionou.

- Estou cansada de tudo mudar sempre - digo.
- Então nós vamos mudar juntos - conclui ele.

www.sejacult.com.brBela Gratidão
Corey Ann Haydu
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