Assassinato no Expresso do Oriente

29/11/2017

Assassinato no Expresso do Oriente || Classificação: ★★★★ (Ótimo)
Estreia em 30 de novembro de 2017 || Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak 


Não é tarefa fácil fazer uma remake de um filme de sucesso estrelado por tantas figuras ilustres do cinema clássico quanto Assassinato no Expresso do Oriente, original de 1974. Mais difícil ainda se torna a tarefa de trazer novos ares para a adaptação de uma obra da mais bem sucedida romancista da história de Agatha Christie. A história é simples e envolvente, Hercule Poirot (Kenneth Brannagh) – grande detetive conhecido mundialmente – se encontra em um trem onde ocorre um estranho assassinato e agora todos ali dentro são suspeitos.

Compete a Poirot (que apenas queria algumas férias) interrogar a todos para descobrir quem é o assassino. Kenneth Brannagh, quem também é o diretor, consegue manter um bom ritmo, adicionando um pouco de dinamismo e ação à trama, mas sem nunca perder a ponderação. Logo no início consegue auxiliar o elenco incrível, transmitir a sensação de que todos ali são suspeitos de algo. Captando trechos fora de contexto de conversas e olhares dos passageiros, o filme logo no embarcar do trem consegue introduzir as personalidades, trejeitos e o mais importante, a sensação de que qualquer um ali pode estar tramando algo.

Sobre o enredo em si e seus personagens, não há muito o que se falar, é Agatha Christie, por Deus, é claro que é bom. O elenco é realmente excepcional, contando com Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Johnny Depp, Penelope Cruz, Daisy Ridley, Sir Derek Jacobi, Willen Dafoe e Josh Gad, além é claro de Brannagh. Todos trazem personagens incríveis, que transmitem inocência e culpa em seus olhares e todos com mais de uma camada de personalidade, preparados para serem interrogados. Talvez a excentricidade levemente cômica das atuações possa incomodar um espectador desavisado, mas nada que o próprio tom do filme em si não consiga lidar e acostumar.


Falando em atuação, Poirot de Brannagh está excelente. Com uma personalidade marcante, o ator/diretor dá alma ao detetive belga. Ainda que fisicamente diferente do descrito por Christie (tirando o grande e vistoso bigode, que está perfeito), esse Hercule Poirot é tão elegante e tão atento aos detalhes quanto. Na verdade, a compulsividade obsessiva dele em perfeição é traduzida ao longo de toda a atuação e roteiro, dando a este elemento tão importante um destaque digno.

Assassinato no Expresso do Oriente é um bom filme divertido, que consegue prender muito bem o espectador ao seu mistério, além de encantar com atuações, cenários e vestimentas impecáveis que dão alma e personalidade ao longa. Talvez a piegísse ou o fato de ser explicativo demais em algumas partes (principalmente por culpa da trilha sonora), sejam características que passem do ponto em determinados momentos, mas nada que realmente estrague a experiência. Aos fãs de Agatha Christie, o filme termina dando o gancho para o que pode (e se a audiência corresponder tão bem quanto o filme é bom, será) a continuação, Morte no Nilo. Essa é definitivamente uma adaptação que vale a pena ser conferida.



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