Entre Irmãs

13/10/2017

Entre Irmãs || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreou em 12 de outubro de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Entre Irmãs é o típico filme que acertar na produção e no tema, mas falha na cronometragem em deixar um filme arrastado com quase três horas de duração, algo triste para uma produção tão bem sucedida. Emília (Marjorie Estiano) é uma jovem que sonha com um príncipe encantado e se mudar para a capital. A corajosa Luzia (Nanda Costa) faz a opção de seguir um violento grupo de cangaceiros. Criadas para serem costureiras, essas mulheres tecerão suas próprias histórias em um cenário francamente adverso à afirmação feminina.

A temática do filme é extremamente atual e conversa com vários temas em sua trama. Situado na década de 30, temas como, justiça popular versus justiça estatal, briga entre ideologias, a posição da mulher na sociedade e homossexualidade (passeando pelo determinismo científico e cura gay). São temas tratados de maneira orgânica no roteiro, que vai caminhando por suas discussões, não apenas pela inserção em si, mas dialogando e construindo as personagens e suas posições e suas funções e o destino no mundo.


Marjorie Estiano e Nanda Costa estão excelentes. Trazendo personagens extremamente diferentes, mas que perseguem o semelhante (liberdade e sua posição no mundo), uma é levada a entender a complexidade do amor e suas várias facetas enquanto a outra descobre a complexidade na justiça e em se traçar a linha do bem e do mal, da liberdade e da irresponsabilidade para com seus atos. O trabalho das atrizes constrói personagens que não precisam de tipos estereotipados para delimitar as grandes diferenças e semelhanças, tudo é feito de maneira competente e realista.

O problema do filme infelizmente reside no caminhar da história. Um longa de quase três horas, necessariamente, de um ritmo exato e bem construído para que não canse o espectador – nem pela aceleração demasiada, nem pelo andar arrastado. Aqui, temos um filme arrastado, com os acontecimentos que demoram a se realizar, acontecem de maneira esforçada e grande parte do tempo sentimos que estamos vendo nada. Isso em um estudo de personagem de 90 minutos seria ótimo, mas no caso do longa de 180 minutos pode cansar.


Além disso, o filme parece não saber quando parar e acaba se estendendo por mais do que devia, não dando o fechamento perfeito. A verdade é que o espectador vai achar que o filme terminou por conta do 30 minutos antes do verdadeiro encerramento, isso gera apenas a sensação de que já deveria ter acabado e o pensamento contínuo: “Por que isso não acaba?”. Entre Irmãs é competente ao lidar da maneira ótima com temas atuais, além de apresentar duas histórias lindas sobre duas personagens muito bem construídas.

Breno Silveira porém, diretor que antes havia trabalhado no excelente Gonzaga: De Pai para Filho, falha num ponto crucial e transforma um filme que poderia ser algo grandioso em algo legal mais para tedioso.



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