Como se Tornar o Pior Aluno da Escola

05/10/2017

Como se tornar o pior aluno da escola || Classificação: ★★★ (Bom)
Estreia em 12 de outubro de 2017 || Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak

Boas atuações? Nem tanto. Engraçado? Mais para divertido. 
Politicamente incorreto? Do início ao fim.


O filme entrega exatamente o que promete: uma comédia pastelão de ensino médio com muita piada, onde quem é adulto hoje, já fez ou riu muito quando era criança, mas que hoje pode ser considerada “pesado” demais. Na linha entre o abusivo, o ataque simples e divertido aos lastros da comédia – seja para o bem ou para o mal, esse é um filme que ou você se diverte e entra na onda, ou vai odiar plenamente. Bernardo (Bruno Munhoz) e Pedro (Daniel Pimentel) são estudantes e que enfrentam as clássicas tarefas de cumprir as obrigações escolares, de tirar boas notas, ter bom comportamento e cumprir as regras da escola.

Cada vez mais elaboradas graças ao diretor Ademar (Carlos Villagrán). Frustrados, acabam encontrando um diário e seguindo as dicas de como provocar o caos na escola sem ser pego. Antes de mais nada, é bom reiterar, que esse não é bom filme para se levar crianças. É claramente uma sessão para adultos e adolescentes. Se existe alguma mensagem ou moral tirada nessa comédia, não é algo aproveitável, estando recheado de “ganhar o mais esperto” e “não vale a pena se esforçar se você pode trapacear”. Coisas divertidas para quem já tem sua moral construída, mas nada divertido para o público infantil.


Dito isso, se você não se incomoda com piadas sobre gordos, pedófilos e todo tipo de coisa absurda – o filme não se importa com o ataque à política anti-bullying e ao politicamente incorreto, então você provavelmente vai se divertir. Uma pequena porcentagem do público vão se identificar com as pegadinhas e as piadas clássicas que ou já fez ou viu fazendo no tempo de escola. O filme desfila pela construção de garotos frustadamente comportados – cabaços, de acordo com Danilo Gentili – para os grandes pregadores de peças. Claro, algumas piadas saem do limite e acabam por se tornar forçadas, o que acontece muito. Difícil saber se nos momentos cômicos que não entra na cena, foi por causa da piada exagerada ou da atuação.

Verdade seja dita, se algum ator de comédia fosse colocado no lugar de Danilo Gentili, a história teria uma melhora incrível. Apesar de ser o roteirista – além de ter escrito o livro, Gentili não tem o jeito para a atuação e acaba por estragar o personagem que, teoricamente, foi escrito para ele mesmo. Carlos Villagrán, como o diretor Ademar, é divertidíssimo. Com o sotaque espanhol que faz metade das frases não fazer sentido e uma constante voz esganiçada que deixa clara o quão chato é o personagem. O eterno Quico da série Chaves, faz uma participação excelente e dá um toque a mais para o filme. É ponto a mais para as referências contínuas ao seu personagem clássico.

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola é um filme 8 ou 80, talvez mais para 8 ou 50… Ou você se diverte e dá umas boas risadas ou se ofende com a ideologia e o estilo de piada feitas. No fim, ninguém vai achar incrível, afinal todos já sabíamos que não tinha como sair nada excelente onde o mote é zombar do estudo e transformar um diretor com o lema “uma boa escola transforma o aluno e um bom aluno transforma o mundo” em um vilão.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.