Os Guardiões

01/09/2017

Os Guardiões || Classificação: ★ (Ruim) || Estreou em 31 de agosto de 2017 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


São raros aqueles momentos em que se percebe que até para fazer algo ruim precisa-se de talento. Isso porque, por pior que seja, a esmagadora maioria dos filmes consegue ao menos seguir as regras básicas de construção de roteiro. É incrível que até no mais simples dos passos Os Guardiões falha.

Numa cena acompanhada de uma música que simplesmente não encaixa – isso vai acontecer várias vezes ao longo do filme, o diretor não sabe muito bem o que é trilha sonora – somos apresentados aos quatro heróis criados na União Soviética durante a Guerra Fria. A guerra acaba, eles se espalham pela Rússia e, nos tempos atuais, – descobrimos depois que eles não envelhecem, porque né – uma nova ameaça surge e eis que o programa Patriota é reaberto. Tudo isso com duas aparições do título do filme em menos de 30 minutos – sério, a vinheta de título vem duas vezes.


Temos algumas frases de efeito jogadas no ar, algumas olhadas para a câmera no melhor estilo propaganda de perfume e uma pergunta que paira: Havia um roteiro? Isso porque está ausente preceitos básicos da construção de um. Não há diálogos reais que mostrem quem são os personagens, apenas falas expositivas que, burocraticamente, expõem as motivações, anseios e personalidade dos heróis, características essas que nunca aparecem neles próprios, seja por atuação – que atuação? – seja por roteiro. O diretor falha nas cenas de ação, que são chatas e não divertidas – a luta do homem urso contra o vilão careca termina com um único soco nocauteador.

Na verdade, o difícil é encontrar um acerto no meio de clichês mal feitos jogados de maneira preguiçosa no que mal se pode chamar de enredo. A verdade é que eu poderia dizer tudo que está errado nesse filme, mas seria mais extenso que ele merece. A conclusão, é que esse é um filme feito por alguém que acabou de assistir a Vingadores – ou outro filme de super herói – e resolveu fazer um próprio. Infelizmente, esse alguém era um amador que não faz a menor ideia de como fazer um filme. Resultado? Uma pousada em forma de longa que chega a ser insultante estar nos cinemas. Até pra fazer algo ruim, tem que se saber fazer.



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