Lino: Uma Aventura de Sete Vidas

06/09/2017

Lino: Uma Aventura de Sete Vidas || Classificação: ★★ (Regular)
Estreia em 07 de setembro de 2017 || Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Um filme ser infantil não quer dizer absolutamente nada, existem ótimos (como a Pixar) e os horríveis (como Meu Malvado Favorito 3). Dito isso, Lino: Uma Aventura de Sete Vidas não é um bom filme e realmente é triste falar isso de uma animação brasileira. Um jovem ganha a vida como animador de festas infantis. Cansado da rotina maçante e cheio de acidentes, ele busca ajuda mística para mudar de vida. Selton Mello está bem dublando o protagonista, claro que mesmo diante de um texto pífio e uma direção horrível, ele se dedica ao que faz.

Não é por acaso que algumas cenas onde o personagem aparece sozinho, que talvez, são as únicas coisas que realmente salvam. De resto, todo o elenco apenas “está lá”, e a atuação não é nem de longe o problema desse longa, mas não é um ponto brilhante do filme. A qualidade técnica da animação em si é boa, mas o conceito não ajuda. Alguns personagens são deformados (não digo de forma caricaturesca, mas compare a personagem da Paola Oliveira e de Dira Paes que você entenderá) e chegam a mudar de desenho em alguns momentos.


Os cenários também são construídos de maneira preguiçosa, com elementos que aparecem apenas para haver alguma interação, exemplo: o bosque com apenas com uma pedra no chão, coincidentemente a que um personagem chutará. E o roteiro. Deus, o roteiro! A história começa com um conceito, se perde num circo de insanidades contradizentes com o que já havia sido estabelecido e finaliza forçando um aprendizado que nunca parece ter ocorrido em tela (o clássico “eu te amo” salvando tudo. Novamente o conceito ataca em mais um filme).

Além disso, ao longo do filme somos bombardeados por piadas sem graça que geram nada mais que vergonha alheia (os dois policiais completamente idiotas estão entre as coisas mais vergonhosas já vistas). Incrível ainda como o roteiro quer que acreditemos que duas pessoas que cresceram juntas, da infância à adolescência, não se reconhecem de cara. Isso é patético! O filme ainda tem um problema gritante! Apesar dos personagens serem brasileiros, com nomes brasileiros, uma animação brasileira e o idioma português, infelizmente não se passa no Brasil.

Isso não é dito claramente, mas cada elemento do filme remete aos norte americanos, como a escola com seus armários e ninguém de uniforme, a polícia usando quepe, o conceito da cidade em si e até mesmo os índios são americanos. Simplesmente, uma vergonha! Lino: Uma Aventura em Sete Vidas é ruim do início ao fim, mas ao menos os personagens são coloridos e bonitinhos. Como de costume, as crianças vão rir e os pais serão martirizados. É uma pena e um desperdício de recursos, afinal não é todo dia que o Brasil consegue produzir um longa animado com esse nível técnico.



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