Feito na América

15/09/2017

Feito na América || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreou em 14 de setembro de 2017 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak

A sátira à política externa norte americana – toda a guerra contra as drogas e comunismo dos anos 80 – é tão engraçada e bem elaborada, além de absurda, que até mesmo o protagonista vivido por Tom Cruise, se choca e ri sem acreditar nas loucuras que acontecem ao seu redor. Um filme sobre um piloto que em meio a transportes de cocaína para grandes nomes – como Pablo Escobar – e armas do governo dos EUA para “revolucionários” na Nicarágua, se vê num misto de ganância e sobrevivência.

No longa, Barry Seal (Tom Cruise) é um piloto que trafica charutos e está claramente entediado com seu emprego. Um agente da CIA, Schafer (Domhnall Gleeson), oferece – claramente em troca de não o denunciar – trabalhar para a agência tirando fotos através de um avião em territórios na América do Sul. Começa a então a levar drogas na volta para Escobar e outros dois traficantes, logo a sua vida vai sendo levada entre espionar, servir o governo e carregar drogas. O filme dança entre a sátira divertida e o drama de maneira incrível, sempre contando com uma boa montagem mas, principalmente, com o carisma enorme de Tom Cruise.


A sátira literalmente tira algumas risadas em alguns momentos, como quando Seal é preso por tráfico de drogas mas é sentenciado apenas a serviços comunitários e a reação “é apenas isso mesmo, sério, estou livre?”. Parece refletir exatamente o que todos nós pensaríamos e isso está espalhado pelo filme todo de maneira ótima. É de fato, que Seal se diverte ao perceber que está contrabandeando drogas e ficando rico com o consentimento de autoridades governamentais pelo “bem do país” ao combater as mesmas drogas. Ou quando entrega armas à homens que querem saber de dinheiro e lutar contra os revolucionários.

É a visão de um político, por detrás de uma mesa, o tempo inteiro contrastada com a pura realidade, o protagonista conhece bem e o resultado dessa mistura é divertido, mas também dramático. Dramático porque conseguimos ver que mesmo se divertindo e tirando o seu de toda essa situação, conseguimos ver o tempo inteiro a fragilidade de Barry em seu cenário atual, ele é sempre o descartável. E assim, vemos seu drama em se manter vivo e proteger sua família. São as duas facetas – a sátira e o drama – que tornam esse filme tão bom. O filme infelizmente falha em algumas coisas que podem ser consideradas essenciais.


Os personagens coadjuvantes parecem todos descartáveis e sem importância, se assemelhando até a figurantes – Pablo Escobar como um traficante qualquer, veja só. Verdade seja dita, Lucy (Sarah Wright) ganha destaque mais por sabermos pelo que está passando do que pelo roteiro em si, uma dedução que não deveria sobrepor o drama em tela num filme assim. Outro ponto é o ritmo do filme. O início parece longo e demora um tempo até termos a sensação de começo realmente. Tempo em tela jogado fora com alguns momentos desimportantes no início são perdidos no final, que parece corrido.

Muito acontece no fim e pouco no começo, o longa realmente parece desbalanceado e isso pode atrapalhar ou tornar um pouco enfadonho o desenvolver – ainda que quando engate, tudo parece divertido e fluído. Feito na América é um divertido e interessante filme satírico, que talvez dramático onde não sabemos exatamente até onde vai a verdade por trás da história e onde começam as invenções descabidas. No fim, é a ilustração que importa, como a política de evitar possíveis ameaças para os EUA muitas vezes pioram o que eles achavam que iriam melhorar. “Estamos construindo nações na América do Sul, é o que nosso grande país faz de melhor” fala Schafer para Seal que ri e parece não acreditar no que ouve, e nós acompanhamos Tom Cruise.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.